Breves Cenas traz Maria Marighella

A atriz e diretora de espaços culturais da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia será uma das juradas do festival, que começa hoje, juntamente com Marcelo Bones e Francis Madson

Bruno Mazieri / plus@diarioam.com.br

Maria Marighella será uma das juradas desta oitava edição do ‘Breves Cenas’ (Foto: Divulgação)

Manaus – De hoje até domingo, 11, o Teatro Amazonas (Largo São Sebastião, Centro) torna-se a ‘casa’ do Festival Breves Cenas de Teatro, que chega a sua oitava edição com espetáculos gratuitos, sempre às 20h — exceto no último dia, quando a programação inicia às 19h.

Neste ano, a comissão julgadora contará com importantes nomes das artes cênicas. Além de Marcelo Bones (professor, gestor e diretor de teatro) e Francis Madson (ator e diretor de teatro), o evento contará com a presença de Maria Marighella, atriz, gestora cultural e diretora de espaços culturais da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.

“A expectativa para conhecer o Amazonas é muito grande. O Estado é símbolo da cultura brasileira e é importante nunca menosprezar isso. O Amazonas é importante enquanto imaginário e contexto histórico. Ainda mais que o festival será no Teatro Amazonas, um espaço com tanto significado e onde a cena independente, jovem e experimental encontrará com o clássico, proporcionando o novo”, comenta Maria.

O convite para participar da mostra surgiu após um encontro com o produtor do festival, Dyego Monnzaho, durante uma curadoria do Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz. “Nessa ocasião, pude conhecê-lo e o festival, que conecta diferentes produções de diferentes lugares. Essa iniciativa proporciona a difusão e a experimentação no campo do teatro”, diz, lembrando que o teatro “é uma arte presencial e precisa ter a atenção do Brasil, urgentemente”.

Ainda segundo Maria, a arte cênica brasileira possui “um histórico de investimento no campo da criação, mas não no da experimentação”. “Acredito que as políticas públicas precisam olhar mais para os artistas, gestores e produtores, precisam olhar para a questão da distribuição de verba. Quando falamos de Norte, por exemplo, essa urgência é maior ainda. Não conseguimos fazer um circuito no qual o Brasil conheça, em sua totalidade, a arte cênica”, reflete.

Sobre o atual estado cultural do Brasil, a atriz é taxativa. “Estamos em franco retrocesso e com um ministério sem ministro. Tivemos um grande processo de crescimento cultural a partir do momento que Gilberto Gil tornou-se ministro e isso seguiu até a gestão de Juca Ferreira, quando foi interrompido o processo de políticas públicas para as artes. Agora, os Estados e municípios estão criando espaços de resistência fundamentais. Estamos em uma encruzilhada”, salienta.

Projeções

Para o futuro, Maria acredita que ações como ‘Palco Giratório’, ‘Caixa Cultural’ e ‘Itaú Cultural’ “dão pistas de como podemos atuar no campo de rede criando um circuito de difusão”. “São fundamentais, mas precisamos avançar, cada vez mais, com atividades que levem os produtores a pensar uma nova constituição de rede em outros circuitos”, finaliza.

Hoje, o Festival Breves Cenas de Teatro exibe os espetáculos ‘Separação de Dois Esposos’, da Cia. Um de Nós (AM); ‘Tchekhov em Solo: Malefícios do Tabaco’, da Trupe Andarilhos (RJ); e ‘A Excêntrica Família de Clowns’, da Cia. de Teatro Língua de Trapo (AM).