Cantor Leoni participa de ocupação do Iphan ao lado de artistas locais

Manaus – O cantor e compositor Leoni, um dos principais nomes do rock nacional dos anos 1980, aproveitou sua passagem por Manaus nesta quarta-feira (25) para participar da ocupação do prédio do  Instituto do Patrimônio Histórico e Artistico Nacional (Iphan), que r reunia cerca de 60 pessoas no início da noite desta quarta. O ato, promovido pela classe artística em todo o País, é contrário ao governo do presidente interino Michel Temer.

Em Manaus, a ação começou nesta terça-feira (24) e segue por tempo indeterminado. Bastante participativo nas discussões políticas do momento, o próprio Leoni foi quem procurou saber se havia algum ato acontecendo em Manaus nesta quarta-feira, quando já estaria na cidade por conta de um show. “Tenho um grupo de pessoas que conversa sobre isso, falei que estava vindo para Manaus e me deram dois contatos. Eu mesmo entrei contato por whatsapp e fiz questão de vir aqui”, afirmou Leoni, se dizendo honrado por participar do ato em Manaus. “Eu não sou a estrela, eu estou como acessório. As estrelas são as pessoas que ocuparam aqui”.

Para Leoni, participar de atos como esse é participar de um momento de resistência no País. “É uma plataforma de governo que se fosse para as urnas jamais iria ganhar. É um governo que coloca artistas como marginais, a cultura como algo de menor importância. É um governo neoliberal que só se importa com a grana e em pagar juros para o grande capital”, afirmou ele, ressaltando ainda que ele considera importante se manifestar contra um “governo que tomou o poder através de um golpe parlamentar”.

O músico acredita que as ações contra Michel Temer devem crescer no País. “Isso vai ganhar um corpo enorme, ainda mais depois desses áudios vazados. E é importante que se perceba que quando o povo se manifesta, o Temer cede, porque ele não quer se desgastar logo de cara. E quanto mais ele ceder, mais claro ficam os erros que ele cometeu e fica mais fácil derrubá-lo.

A jornalista e produtora cultural Wanessa Leal, uma das organizadoras do ato em Manaus, afirmou que o grupo ficou muito feliz com a presença de Leoni. “A gente fica muito feliz e contente de ter aqui um artista de peso, que pode ajudar a trazer uma visão nacional sobre tudo isso”, afirmou Wanessa, ressaltando que o grupo pretende mapear outras figuras públicas de passagem por Manaus para somar forças. “É uma causa que não é apenas cultural, é de uma amplitude cidadã, contra algo que extingue direitos sociais, políticos e culturais”, ressaltou ela.

O poeta Dori Carvalho afirmou que a presença de Leoni no ato em Manaus era motivo de orgulho, por conta do perfil do artistas. “Ele trilha um caminho artístico fora dos esquemas, fora das mesmices, é um homem que se compromete com as lutas de seu tempo e de sua gente. É emocionante”, afirmou ele, ressaltando que a ocupação acontece para demonstrar a importância de toda a expressão cultural brasileira. “E Leoni veio aqui espontaneamente prestar sua solidariedade e se ‘comunhar’, se assim posso dizer, com os artistas e criadores de Manaus, dizendo sim à cultura e não ao golpe”.