Carreira de Shailene Woodley de volta à bonança

Ao lado de Sam Claflin, em 'Vidas à Deriva', a atriz brilha em drama biográfico que acompanha casal de namorados tentando sobreviver após tempestade em alto-mar

Gabriel Machado

Manaus – Shailene Woodley surgiu para o grande público em 2003, como Kaitlin Cooper, irmã mais nova de Marissa (Mischa Barton), uma das protagonistas da série adolescente ‘The O.C.’ — exibida, no Brasil, pelo canal Warner. Ela apareceu somente em alguns episódios, sendo, mais para frente, substituída por Willa Holland. Anos se passaram e, depois de estrelar, por cinco temporadas, o seriado ‘A Vida Secreta de uma Adolescente Americana’, Woodley teve, finalmente, a grande chance da carreira.

Filme foi a grande estreia nos cinemas de Manaus, na última semana (Foto: Divulgação)

No ‘oscarizado’ ‘Os Descendentes’ (2011), a atriz, hoje com 26 anos, deu vida à filha mais velha de George Clooney e caiu na graça dos críticos — chegando, inclusive, a ser indicada a um Globo de Ouro pela sua atuação. Ali, na pele da jovem Alexandra King, Woodley alçou o seu nome à lista de promessas de Hollywood. Contemporânea a Jennifer Lawrence, ela não escapou das comparações à estrela de ‘Jogos Vorazes’ e, em 2014, ensaiou seguir os mesmos passos da colega de profissão: assim como Lawrence, Woodley também passou a estrelar uma franquia de filmes inspirada em sucessos da literatura infantojuvenil, a saga ‘Divergente’.

A decisão de dar vida à heroína Tris, no entanto, não vingou. A franquia foi um fiasco comercial e nem chegou a ser concluída, nos cinemas. A atriz, então, passou algum tempo sumida da mídia e contracenou, ao lado de Joseph Gordon-Levitt, o discreto ‘Snowden: Herói ou Traidor’ (2016). A volta aos holofotes veio no ano seguinte, com o fenômeno televisivo ‘Big Little Lies (BLL)’ — que lhe rendeu uma segunda indicação ao globo dourado.

Se ‘BLL’ foi o início da redenção de Woodley, pode-se afirmar que ‘Vidas à Deriva’ (grande estreia da última semana, em Manaus) veio para consolidá-la — ou, ao menos, para recolocá-la no local de destaque de onde nunca deveria ter saído.

Baseado em fatos reais, o longa acompanha os namorados Tami Oldham (Woodley) e Richard Sharp (Sam Claflin, ‘Como Eu Era Antes de Você’), que, enquanto velejam em mar aberto, são atingidos por uma terrível tempestade. Passada a tormenta, Tami se vê sozinha na embarcação em ruínas e tenta encontrar uma maneira de salvar a própria vida e a do parceiro debilitado.

Mais que uma narrativa de superação ou sobrevivência, o filme, dirigido pelo islandês Baltasar Kormákur (‘Evereste’ e ‘Dose Dupla’), é uma história de amor — e, por que não dizer, um mostruário para o talento de Woodley. Em uma trama que intercala flashes da dupla tentando sobreviver em alto-mar e de como o casal se conheceu, é pela percepção de Tami que o público acompanha ‘Vidas à Deriva’.

Apesar de soar como uma produção tearjerker (aquela que se ‘alimenta’ das lágrimas do espectador), as aventuras, o romance e o drama dos protagonistas são apresentados de maneira não forçada e, em nenhum momento, o filme passa aquela sensação de agonia absurda — típica de produções do gênero, como ‘Mar Aberto’ ou ‘Titanic’.

A ‘naturalidade’ da dinâmica entre os protagonistas, mesmo quando são postos de frente à tragédia, faz-se presente, até mesmo, no plot twist de ‘Vidas à Deriva’ (sim, existe um). Diferente de chocar ou arrancar, à força, lágrimas do espectador, a reviravolta cai como uma luva à conclusão — e ao sentido — da trama.