Cheia de autoestima, comédia ‘Sexy por Acidente’ é criticada por mulheres

No filme, Amy Schumer interpreta uma insegura nova-iorquina que, após sofrer um acidente, em uma aula de spinning, passa a se enxergar da maneira que sempre sonhou

Gabriel Machado

Manaus – Logo que teve o seu primeiro trailer divulgado, no início do ano, ‘Sexy por Acidente’ — a nova comédia de Amy Schumer (‘Descompensada’) — foi alvo de críticas, exatamente, por parte de seu público-alvo: as mulheres. Nas redes sociais, muitas alegaram que a produção zombava daquelas que, em teoria, não se encaixam nos padrões de beleza pré-estipulados pela nossa sociedade.

Apesar dos clichês, a produção é eficaz em passar a sua mensagem principal. (Foto: Divulgação)

A mobilização tenha, talvez, até afetado a bilheteria do filme, nos Estados Unidos. Porém, a verdade é que vemos, nos extensos 111 minutos de duração de ‘Sexy por Acidente’, exatamente o contrário: aos trancos e barrancos, a comédia conta com uma história repleta de autoconfiança e empoderamento — puxada, é claro, por mais uma memorável performance de Schumer.

Na trama, a famosa comediante interpreta Renee, uma nova-iorquina de 30 e poucos anos que convive, diariamente, com inseguranças e baixa autoestima por conta de seu tipo físico ‘fora do padrão’. Entretanto, tudo muda depois que ela bate a cabeça em uma aula de spinning e passa a se enxergar da maneira que sempre sonhou. Rapidamente, Renee vai perdendo o medo e correndo atrás de seus maiores desejos.

Os que optarem por conferir o filme vão ver exatamente aquilo que esperam, na telona. A produção passa por todos os arcos clichês possíveis: o momento em que nos identificamos e torcemos pela protagonista; a parte em que Renee se torna insuportável e, justamente, o tipo de pessoa que a fazia se sentir mal, no início da comédia; o arco de redenção da personagem etc. Essa previsibilidade torna ‘Sexy por Acidente’ ruim? Não mesmo.

É importante reforçar que, além de algumas tiradas geniais e do carisma de Schumer, o longa toca em um assunto bastante recorrente e importante: a questão da autoaceitação e da quebra desses padrões (cada vez mais absurdos) de beleza, estipulados tanto pela mídia quanto pelas pessoas no geral. Na comédia, esse perfil ‘ignorado’ pela sociedade é representado por uma protagonista ‘acima do peso’. Porém, não precisa pertencer a este grupo para se sentir representado.

A mensagem final é adequada a todos e transmitida de forma redondinha, no terceiro arco do filme. Ao fim do dia, ‘Sexy por Acidente’, mesmo com as suas falhas, é uma produção que faz o espectador se sentir bem ao deixar a sala de cinema — pois, diferentemente do seu ‘gêmeo’, ‘O Amor É Cego’ (2001), ela não trabalha em cima da perspectiva dos outros e, sim, da nossa própria perspectiva sobre nós mesmos.