Elviras e a crítica cinematográfica

Jornalistas Camila Henriques e Suzy Freitas ministram workshop ‘Outro olhar: Oficina de crítica cinematográfica para mulheres’, no próximo dia 27, no Centro Cultural Palácio da Justiça

Manaus -Integrantes do coletivo nacional Elviras — que reúne mulheres críticas de cinema, em todo o Brasil — e do site amazonense Cine Set, as jornalistas Camila Henriques e Susy Freitas serão as responsáveis por ministrar, no próximo dia 27, o workshop ‘Outro olhar: Oficina de crítica cinematográfica para mulheres’.

O evento, que acontece nas dependências do Centro Cultural Palácio da Justiça (Avenida Eduardo Ribeiro, 901), a partir das 14h, já está com as suas inscrições abertas: basta preencher um formulário no Google Drive, disponível no link tinyurl.com/CineSet-OficinaOutroOlhar/. Serão 20 vagas, com prioridade para mulheres.

A atividade será dividida em três momentos e encerrada com a produção de uma resenha, de 30 e 50 linhas (Foto: Michael Dantas/SEC)

O roteiro do workshop terá três momentos: no primeiro deles, serão apresentados os conceitos e caracterizações da crítica cinematográfica, tais como diferenciação entre crítica, opinião e análise fílmica, a distinção entre o espectador comum e o espectador que pretende escrever uma crítica, bem como os passos para a produção desse tipo de texto.

Em um segundo momento, a proposta apresenta um embasamento básico sobre os estudos de representação da mulher no cinema. Teóricas como Laura Mulvey, E. Ann Kaplan e Molly Haskel, dentre outras autoras, terão seus trabalhos apresentados aos participantes. Nesse contexto, também serão apresentados marcos do cinema promovidos por mulheres, como o pioneirismo de figuras como Alice Guy-Blaché, Lois Weber e Ida Lupino, entre outras.

No último ato da oficina, os participantes assistirão e analisarão um curta dirigido por uma mulher. Um breve debate sobre a obra e a produção de um texto entre 30 e 50 linhas, a ser avaliado pelas ministrantes da oficina, finalizará a atividade.

Integrante das Elviras desde 2016, Susy Freitas considera importante dividir o conhecimento e as experiências sobre um tema que só agora vem chamando mais atenção, que é o papel efetivo da mulher na história do Cinema. “Queremos, também, fomentar que mais mulheres escrevam sobre cinema, especialmente a forma como somos representadas nas obras. Por isso, introduziremos conteúdo que tem base em teorias feministas do cinema, o que é pouco debatido na cidade, ainda”, disse a jornalista.

Ela acredita que — como em qualquer atividade — a mulher crítica de cinema pode passar por situações de silenciamento, assédio e isolamento, como se não existissem muitas na mesma atividade. “Por ‘sorte’, passei apenas por esta última. A partir da aproximação com o coletivo Elviras, que, hoje, tem mais de 100 críticas, vemos que não é bem assim e que nossa reflexão sobre filmes e representatividade é válida e urgente. Vemos que há várias mulheres com interesse em entrar na atividade, precisando apenas de um incentivo, que é um pouco o objetivo de focarmos apenas nelas nessa primeira oficina sobre o tema”, concluiu.