Em Manaus, mães defendem o fim de ‘tabus’ sobre amamentação

Manaus – O empoderamento das que amamentam tem incentivado mães a exporem suas opiniões e lutarem contra preconceitos sobre o aleitamento em todo o País. Comemorado nesta segunda-feira (1), o Dia Mundial de Amamentação traz à tona entre mães de Manaus a quebra de tabus sobre amamentação.

Idealizadora do projeto ‘Além dos 6 meses’ que defende a amamentação prolongada e o fim do preconceito do aleitamento em espaços públicos, a mãe Rosemar Almeida, 29, acredita que o apoio, a busca de informação e a união das mães são pontos essenciais para o fim da discriminação.
“A amamentação é algo natural entre a mãe e o filho e deve ser tratada assim para que essa mãe não escolha pelo que dizem mais fácil, que é a mamadeira. Às vezes, essa mãe só precisa de um apoio, pois quando ela está cansada – porque realmente é cansativo – empurram a mamadeira. Seja da família ou de algum grupo de mães, ela só precisa ouvir: já passei por isso, você vai conseguir”, contou.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, além de garantir a saúde, o leite materno imuniza o bebê contra doenças respiratórias e crônicas, problemas cardiovasculares, diabetes, hipertensão e osteoporose. A OMS defende que o aleitamento materno é a melhor forma de fornecer ao recém-nascido todos os nutrientes necessários par um crescimento saudável.
A Organização orienta que o bebê receba exclusivamente o leite materno até os seis meses, e depois, seja associado a outros alimentos, até que a criança complete dois anos ou mais.
“Amamentei meu filho até os 1 ano e 5 meses e vejo as consequências boas, ele dificilmente fica doente e quando isso acontece ajuda bastante pois ele não aceita nenhum outro alimento. Além do contato com a mãe, que nessa fase é extremamente importante para a sensação de segurança do bebê. É visível o efeito no nosso filho”, disse Rosemar.
“Coloca um paninho”
Outro preconceito discutido com frequência é o da amamentação em público. “As pessoas não se incomodam com exposição do corpo feminino nas mídias e comerciais, por que se importar com algo tão natural como a amamentação?”, questiona a mãe e servidora pública, Luciana Athan, 25. “Já aconteceu de uma pessoa próxima se colocar na frente para esconder e perguntar se não tenho algo pra colocar na frente. As pessoas precisam ver esse ato como algo mais natural”, defendeu Luciana.
A servidora, que continua amamentando a filha de 1 ano e nove meses, acredita que olhares ‘tortos’ e estranhamento podem influenciar as mães a deixarem de amamentar. “Não devemos nos deixar abater  por olhares e pressão social”, completou.
Para as mães que, por opção, não se sentem confortáveis em se expor, Luciana chama a atenção das instituições e empresas para a construção de espaços para o aleitamento. “Tem que existir esse incentivo com um espaço que tenha em primeiro lugar higiene, não um banheiro. Um lugar para as mães terem um momento com seus filhos”, disse.
Mamaço e Bancos de Leite
A partir desta segunda-feira (1), em Manaus, a Semana Mundial de Aleitamento Materno contará com atividades até o dia 6 de agosto.  Equipes dos Bancos de Leite, Maternidades e Centros de Atenção Integral à Criança (CAICs), da rede estadual, estarão realizando uma série de ações voltadas para a promoção, estímulo e apoio ao aleitamento materno.

Ainda nesta segunda-feira, quatro novos bancos de leite foram inaugurados no Amazonas, sendo dois na Maternidade Ana Braga, no bairro São José, zona Leste de Manaus, um no município de Itacoatiara (a 176 quilômetros de Manaus, em linha reta) e outro em Tabatinga (a 1.108 quilômetros da capital, em linha reta).

O encerramento da programação, será com um “Mamaço” a partir das 16h30 no sábado (6), no Largo São Sebastião.