Espetáculo de cordel no boi-bumbá

Espatódea Trupe Produções Artísticas apresentará espetáculo em pleno festival folclórico, em Parintins, e a ideia é ter logradouros públicos como palcos

Kamilla Vieiralves / plus@diarioam.com.br

Formato escolhido faz referência direta à origem da festa, que tem raízes no Nordeste brasileiro (Foto: Divulgação)

Manaus – O Festival Folclórico de Parintins acontece todos os anos, desde 1966. E, desde 1994, basta ligar a televisão para acompanhar, durante três noites, a história encenada de Mãe Catirina que, durante a gravidez, deseja comer a língua do boi mais bonito da fazenda onde vive, o que leva seu marido, o peão Pai Francisco, a matar o animal de estimação de seu patrão. O homem é descoberto e preso. Para salvar o boi, o amo manda chamar um médico e um padre, que acabam conseguindo ressuscitar o animal. Pai Francisco é perdoado e todos iniciam uma grande festa.

Mas, neste ano, quem estiver na ilha tupinambarana, no próximo fim de semana, vai ter a chance de ver a história de outra maneira, com o espetáculo ‘Bumba-Meu-Boi: A Festa vai Começar’, da Espatódea Trupe Produções Artísticas. “O festival mostra a história de forma alegórica, então nós resolvemos trazer a proposta do cordel para enriquecer e levar outra opção de lazer e artística para quem estiver em Parintins”, explica Árlisson Cruz, produtor e idealizador do projeto.

De acordo com ele, o formato escolhido faz referência direta à origem da festa, que tem raízes no Nordeste brasileiro. “Escolhemos o formato de cordel para relembrar as origens nordestinas da festa, já que essa é uma forma de arte muito forte da região”, explica o produtor.

Mas quem espera encontrar uma versão conhecida da história pode se surpreender com o resultado, que mistura influências. “Essa ideia do espetáculo surgiu quando passamos a observar a história do boi-bumbá, sendo representada nas alegorias dos bois, durante o evento, e sentimos falta de mais notoriedade em Chico e Catirina, os dois principais personagens desta história do boi-bumbá. Então, resolvemos criar nossa versão, acompanhada de outras influências do Nordeste e daqui do Norte”, explica Emille Nóbrega, atriz e diretora do espetáculo.

As apresentações estão marcadas para os dias 30 de junho e 1º de julho, ainda sem locais definidos. No entanto, quem se interessar, pode ficar de olho em espaços públicos, como praças e ruas. “A nossa ideia, a priori, é que sejam, pelo menos, três apresentações — duas no dia 30 é uma no dia 1º. Mas há uma possibilidade de apresentarmos no dia 29, à tarde, também”, adianta Emille Nóbrega.

“Ainda não temos um ponto específico. Como é teatro de rua, vamos ainda fazer uma pesquisa pra ver onde podemos nos apresentar. É apropriado que sejam praças, espaços abertos, escolas. Esses lugares assim, onde possamos fazer uma roda de pessoas em volta de nós”, complementa, ressaltando que as apresentações serão gratuitas. “O que fazemos, no final, é ‘passar o chapéu’. Um termo usado no teatro de rua, para pedirmos colaboração de quem assistiu e pode colaborar para a manutenção do espetáculo”, afirma.

Manaus na rota

Por fim, o projeto, que vem sendo desenvolvido desde o início deste ano, vai cumprir a sua proposta inicial de estrear em Parintins, mas, segundo Emille, os moradores da capital também terão a chance de conhecer a versão do auto do boi contada por eles.

“Fizemos pensando em levar a história para lá desde o início, por causa da demanda de turistas que estão presentes durante o festival e, às vezes, ainda não conhecem o começo da história. Quando voltarmos, entraremos em temporada em Manaus, nas ruas praças e escolas”, garante a diretora.