Espetáculo teatral discute questões ambientais

Manaus – Em temporada até setembro, no Centro de Artes da Universidade Federal do Amazonas (Caua-Ufam), o espetáculo ‘Óbvio Voraz’ se destaca pelo minimalismo. James Araújo dirige, enquanto Otoni Mesquita compõe o cenário com uma instalação de sua autoria, mas ambos também protagonizam a peça.

Com roteiro assinado por Verônica Gomes, a obra aborda, de modo geral, quatro temas. O primeiro aponta para a questão indígena, que é tão antiga quanto o Brasil, mas que assume uma dimensão catastrófica precisamente em um momento em que os próprios povos nativos estão avançando afirmativamente em sua luta pelo reconhecimento de seus direitos secularmente negados.

O segundo aborda a água como uma das questões planetárias e que, no Brasil, tem assumido, também, dimensões catastróficas e descontroladas, tanto por sua carência em determinadas regiões quanto em decorrência de fatores naturais — agravados pela ausência de políticas sérias e corretas em relação ao que deixou de ser previsto e planejado.

O terceiro quadro denuncia a destruição irresponsável de nossas matas e florestas, um amplo processo iniciado no período colonial, mas que ganhou força, sobretudo, com a chamada integração da Amazônia, momento conhecido na opinião pública mundial como sinônimo das queimadas e da devastação da floresta pelo capital.

O quadro final, especialmente performático no conjunto do espetáculo, denuncia a relativa indiferença que o Estado brasileiro e o próprio povo têm em relação ao sacrifício imposto à vida silvestre com a destruição sumária, o comércio e contrabando de animais. Esse quadro se destaca, ainda, por seu lirismo e força dramática ao homenagear os nossos pássaros ameaçados de extinção.

Estrutura

O trabalho tem como fundamento duas performances que se entrelaçam, se contrapõem, se enfrentam, mas, ao final, se completam. A extrema economia de recursos cênicos é contraposta pelas movimentações dos atores James Araújo e Otoni Mesquita.

O espetáculo também se destaca pelo tratamento conceitual de seus blocos temáticos, particularmente com a instalação concebida por Otoni Mesquita e construída ao longo de todo o transcorrer da ação que acontece não apenas no palco, mas nos bastidores de onde se projetam imagens fixas e em movimento, música, ruídos, vozes e objetos.

A segunda temporada começou dia 8 de julho e se estende até setembro do ano corrente, com uma apresentação por semana, intercaladamente, às quartas-feiras, a a partir das 15h, e às sextas, às 19h.