Levando a terceira idade na esportiva

Por Tiago Melo / plus@diarioam.com.br


Reconhecida como um importante promotor de saúde, a atividade física oferece benefícios que são observados independentemente da idade em que a pessoa comece a praticar, ou seja, nunca é tarde demais para levantar do sofá e acabar com o sedentarismo. Conforme os relatos da aposentada Maria Valdeída da Silva Marinho, de 70 anos, e de profissionais como a bacharel em Educação Física Ana Beatrice Torres Carvalho e a geriatra Marília Silva Lobo Fernandes, ‘desculpas’ relacionadas com à idade avançada já não são mais válidas.

De acordo com Marília, diversos estudos têm demonstrado o impacto da atividade física na qualidade de vida das pessoas e, em particular, na dos idosos, reduzindo consideravelmente os índices de mortalidade e o risco de doenças, auxiliando no tratamento de patologias e diminuindo a necessidade ou as doses de medicações em geral.

“A prática regular de exercícios é capaz de prevenir muitas doenças crônicas como a HAS (hipertensão arterial sistêmica), diabete, obesidade, dislipidemia, osteoporose, osteoartrose, sarcopenia; complicações agudas como infarto, Acidente Vascular Cerebral (AVC) e doenças vasculares periféricas. Diminui, também, as quedas, fraturas e a incapacidade física, além do risco de câncer e doenças neuropsicológicas”, listou a especialista.

Para a geriatra, a prática de atividades físicas também melhora a saúde mental e social do indivíduo, a autoestima, o bem-estar psicológico, a qualidade do sono, a memória, a redução da ansiedade e depressão e a prevenção de demência, como Alzheimer. Contudo, antes de dar o pontapé inicial, o idoso deve fazer uma avaliação médica criteriosa.

“Deve-se identificar a existência de alguma contraindicação ou restrição para sua prática; investigar fatores de risco cardíacos, limitação física, condicionamento físico e averiguar o nível de atividade física atual. É importante, também, levar em conta o prazer do idoso em praticar a atividade. Seja natação, dança, musculação ou qualquer outra atividade, a ideia é associar o útil ao agradável, respeitando a autonomia do indivíduo e melhorando sua adesão”, comentou Marília Lobo.

Após a avaliação médica, ressalta Marília, o profissional de educação física deve realizar, junto ao idoso, um planejamento das atividades e estabelecer metas realistas com a orientação e o acompanhamento apropriado. “Inicialmente, o nível das atividades deve ser baixo e, se for recomendado o aumento de sua complexidade, isto se deve dar de forma lenta e progressiva”, afirmou.

Corpo à obra

Cada pessoa vive e envelhece de maneira única. A própria Organização Mundial de Saúde (OMS) reconhece que a idade cronológica não é um marcador preciso para as alterações que acompanham o envelhecimento. Ocorrendo em diferentes dimensões, o ato de chegar à terceira idade não comporta um único conceito.

Logo, generalizar e afirmar qual o melhor exercício para os idosos seria um erro. Para a bacharela em Educação Física e pós-graduada em Prescrição de Exercícios Físicos para Grupos Especiais, Ana Beatrice, no entanto, cinco deles são essenciais — hidroginástica, pilates, caminhada, dança e musculação (e ela explica o porquê, nos boxes).

Segundo a profissional, mais importante que a escolha da atividade em si, é a forma como ela será orientada. “O profissional de educação física deve observar a intensidade do exercício e a postura do aluno, para que o exercício seja feito com toda segurança. É importante, ainda, estar sempre observando se o idoso teve uma boa noite de sono, enfim, ter a sensibilidade de perceber se está bem para fazer a atividade naquele dia”, comentou.