Lula vira samurai e Bolsonaro ninja na webmangá ‘Rura – o espadachim de 9 dedos’

História criada por artista mineiro transforma políticos brasileiros em samurais e ninjas, sem poupar lados

Lennon Jorge / plus@diarioam.com.br

Quase finalizado, o primeiro capítulo de ‘Rura’ está disponível no Facebook (Foto: Divulgação)

Manaus – ‘Rura presencia o sequestro misterioso de sua filha Diruma, resultado de rixas antigas, mas precisa se recompor para fazer justiça’. Todo mundo diz que a política brasileira daria uma boa novela, mas o estudante de Design mineiro John Corrêa resolveu ir além e criou o webmangá ‘Rura – O espadachim de 9 dedos’, no qual ele assina arte e roteiro.

A obra, atualmente com 13 páginas publicadas, está disponível no Facebook, em uma fanpage homônima.

“Um dia, eu estava lendo uma daquelas páginas de direita colocando o Bolsonaro como um herói, aí eu pensei na capacidade que essas figuras têm de gerar uma saga. Foi quando comecei a fazer esboços do Lula samurai, do Bolsonaro ninja, e escrevi um minirroteiro para quatro páginas”, relembra o artista.

“Desenhei duas páginas e postei em meu perfil pessoal. O pessoal teve uma reação muito positiva, todo mundo pegou a mensagem e riu muito disso. Mais tarde, me sugeriram criar uma página disso”, complementa John, que diz ter contabilizado, apenas nas duas semanas iniciais de ‘Rura’, 3 mil curtidas.

Desenhista desde criança, por influência do pai, o autor do mangá, hoje com 24 anos, revela que sempre quis produzir ilustrações com teor político. “Pretendo juntar uma equipe boa para expandir esta produção. E, bom, eu sempre achei a política brasileira um tanto quanto cômica, sobretudo na reação do povo, essa polarização. Então, comecei a associar isso tudo com desenhos japoneses e filmes clássicos japoneses dos anos 1970. No ‘Rura’, eu busco expor de forma mais cômica o que, de fato, acontece com a polarização”, explica.

Segundo ele, a ideia também parte de um princípio básico: não há bem ou mal, nesse cenário. “Eu, pessoalmente, me considero de esquerda, mas não concordo com tudo o que diz o pacote ideológico da esquerda padrão. Eu não me preocupo em expor os personagens como heróis ou vilões, procuro representar mais como políticos que são, mais discurso do que ação. O povo deixou de ver o político como ferramenta de administração pública”, comenta o artista.

Desenhista desde criança, por influência do pai, o autor revela que sempre quis produzir ilustrações com teor político (Foto: Divulgação/ Facebook)

 

Pé no oriente

Apesar da escolha pelo estilo oriental, John admite que os personagens ficaram bem próximos de suas versões reais e explica o porquê. “Bom, mangá não é o meu traço habitual, mas a história pede que seja mangá. A aparência dos personagens eu até tento abstrair um pouco da imagem deles, mas acaba que é importante que sejam reconhecidos. Eu faço uma adaptação com os nomes para ficar mais sonoro com o estilo mangá”, explica, esclarecendo um detalhe já questionado pelo colunista do UOL, Chico Barney, sobre a linguagem usada na HQ conter traços xenofóbicos — o L por R, em Rura, por exemplo.

“Tem alguns filhos de japoneses que me ajudam a fazer essa adaptação, um pessoal bem engajado, na página. O objetivo nem é rir do japonês, é fazer ficar sonoramente compatível com mangá. Acho que dá um paralelo interessante, além de ser cômico, sim. Pra gente, é algo diferente, mas japonês faz mesmo essas adaptações fonéticas e sabem que o fazem”, defende-se.

Bolsonaro é Boru Sonaru na webmangá (Foto: Divulgação/ Facebook)

 

Próximos passos

Mais quatro ou cinco páginas e o primeiro capítulo da história será fechado. O passo seguinte, segundo John, é levar a obra a outro patamar. “Pretendo, quando fechar a primeira parte, lançar a versão física e vender aqui, em Belo Horizonte. Tem bastante coisa já, o roteiro já fechou o primeiro capítulo e iniciou o segundo”, adianta.