O bom filho à casa torna

Depois de anos ‘perambulando’ pela região amazônica, cineasta Jorge Bodanzky retorna à capital amazonense para a programação do festival Olhar do Norte, entre os dias 25 e 29 de janeiro

Manaus – A relação do cineasta Jorge Bodanzky com a Amazônia vem de anos — 50, mais precisamente, como pontua o diretor: “A primeira vez que fui à região foi nos anos 1960. Na época, ainda trabalhava como cinegrafista freelancer para tevês estrangeiras. É meio século ‘perambulando’ pela Amazônia”.

Com tamanha afinidade (e história) com o território amazônico, não foi surpresa para ninguém quando o cineasta teve o seu nome anunciado como convidado especial do festival ‘Olhar do Norte’, que será realizado, em Manaus, entre os dias 25 e 29 de janeiro, no Teatro da Instalação e no Les Artistes Café Teatro, ambos no Centro da capital.

Semidocumentário rodado em 1974 conta a história de um caminhoneiro e uma prostituta que viajam juntos pela rodovia Transamazônica (Foto: Divulgação)

Bodanzky participará da abertura do evento, quando apresentará ao público o seu filme ‘Iracema – Uma Transa Amazônica’ (1975), codirigido por Orlando Senna. A história, narrada em estilo semidocumental — um marco para a época —, segue a trajetória de um caminhoneiro e uma prostituta que viajam juntos pela rodovia Transamazônica recém-construída.

Apesar dos 44 anos que separam a produção dos dias atuais (o longa foi rodado em 1974), ‘Iracema’ permanece atemporal. “Acredito que os temas que abordei no filme estejam mais atuais, porque os problemas amazônicos não se resolvem, são sempre os mesmos. É uma triste realidade”, disse o cineasta, em entrevista ao PLUS. “A produção se manteve recorrente, também, por conta da linguagem que utilizei para contar sua história. Misturei o documentário com a ficção, um estilo um pouco mais comum nos dias atuais, mas que, para a época, era uma novidade”, acrescentou.

Animado em apresentar ‘Iracema’ para o público do Olhar do Norte, Bodanzky destacou a importância de iniciativas como o festival. “Toda mostra de cinema é importante, tanto para quem vê os filmes quanto para quem os produz. Principalmente, quando essas produções não estão em circuito comercial”, reforçou o diretor. “São iniciativas que contribuem, positivamente, para a formação de plateia e debates importantes”, completou.

Oficinas

O festival ‘Olhar do Norte’ está com inscrições abertas para três oficinas. A matrícula pode ser realizada de forma gratuita, até o dia 25, pelo link goo.gl/forms/IfwsXTQQMeaPx8Iw1. As vagas são limitadas.

As oficinas disponíveis são: ‘Produção executiva’, com Carlos Barbosa e Clemilson Farias; ‘A visão criativa na produção audiovisual’, com Michelle Andrews; e ‘Direção para videoclipe’, com Rafael Ramos. “É muito benéfico quando um festival reúne realizadores e espectadores porque, desta forma, consegue se pensar em uma maneira mais inteligente e interessante de fazer cinema”, afirmou Diego Bauer, um dos organizadores do evento.