Primeiro bailarino do American Ballet Theatre (ABT), retorna a Manaus para três apresentações

Por Tiago Melo


Manaus – “É um prazer estar de volta a minha terra. Sinto-me em casa, ao pisar no palco do Teatro Amazonas”. A fala é de Marcelo Mourão Gomes, manauara ilustre e primeiro bailarino do American Ballet Theatre (ABT) que se apresentará no ‘cartão-postal’ da cidade, neste fim de semana.

De acordo com Marcelo, que virá acompanhado de outros oito bailarinos internacionais, a apresentação com cerca de duas horas e meia de duração foi preparada especialmente por ele ao longo do último ano. “É um programa diverso. Como viajo o mundo para diversas apresentações, selecionei apenas as coreografias que sei que mais atingem emocionalmente o público”, disse ele, em coletiva realizada na tarde de ontem, no Ideal Clube, no Centro.

Dentre os balés que o público amazonense poderá conferir (‘Apollo’, ‘Tristesse’, ‘Toccare’, ‘Lago dos Cisnes – Atos 2 e 3’, ‘Romeu & Julieta – Ato 1’, além de um grand finale), Marcelo destacou dois.
“O Apollo é um papel que já foi feito por todos os primeiros bailarinos do mundo e eu levei um tempo para fazê-lo. Trazê-lo aqui é uma conquista. Já o ‘Lago dos Cisnes’ é inédito na América do Sul inteira”, comentou o bailarino, ressaltando ainda que tais papéis o fizeram crescer artisticamente. “Com eles, aprendi a não ser apenas um bailarino melhor no palco, mas, sim, a ser, acima de tudo, uma pessoa”.

Outro fator a ser destacado da apresentação é a participação da Orquestra Amazonas Filarmônica, que será regida pelo maestro Marcelo de Jesus. Segundo Mourão, não é todo dia que os bailarinos tem a honra de dançarem com música ao vivo.

“É uma honra mútua. Assim que recebi o convite, aceitei na hora. Para a Amazonas Filarmônica é muito importante a relação com um artista do nível de Mourão”, afirmou o maestro, que, há uma semana, vem ensaiando com os músicos para o evento. “Queremos que o nível não deixe nada a desejar das outras apresentações do Mourão ao redor do mundo”, completou Marcelo, que, além de reger, também tocará, no piano, peças de Chopin, durante o balé ‘Tristesse’.

Para Marcelo Mourão, o processo de montar o espetáculo para Manaus é um desafio que só vale a pena pelo amor que tem pela cidade. “Está sendo uma loucura. Devido às agendas cheias, tivemos que fazer os convites com quase um ano de antecedência. Ainda por cima, estamos em meio a uma crise e uma Olimpíada no País. Mas, no final, a aceitação do público fará tudo ter valido a pena”, concluiu ele.