Rock dissecado pelos bastidores

Previsto para 2019, livro ‘Os Últimos Dias do Rock’n’Roll’, do músico Sandro Nine, que reúne histórias de sua carreira, terá nomes como João Gordo e Sérgio Dias (Os Mutantes)

Bruno Mazieri

Manaus – Os bastidores do mundo do rock sempre foram cercados de polêmicas e fatos que despertam a curiosidade do público em geral. Tema de inúmeros livros ao redor do mundo, o controverso gênero musical também será pauta da obra ‘Os Últimos Dias do Rock’n’Roll’, em fase de produção pelo jornalista, produtor cultural e vocalista da banda Nicotines, Sandro Correia — ou Sandro Nine. Na obra, ele narra histórias protagonizadas por ícones nacionais como João Gordo, Sérgio Dias (Os Mutantes) e Philippe Seabra (Plebe Rude).

Amazonense, Sandro reside em Boa Vista (RR) e é jornalista e integrante da banda Nicotines (Foto: Divulgação/Garage Sounds)

“Tinha esse projeto há muito tempo e ele estava engavetado. A cada festival que ia ou conversa que tinha com algum artista, escrevia um texto e guardava. Em 2013, levamos Os Mutantes para Presidente Figueiredo e conversei bastante com o Sérgio Dias (guitarrista e vocalista). Ele chegou batendo papo e foi me contando uma série de histórias, dentre elas a separação da Rita (Lee) do irmão dele, o Arnaldo”, conta ele.

Ao sair do camarim, relembra, Nine foi abordado por uma amiga que ressaltou o momento. “Ela disse: ‘Tu esteve com um dos caras mais importantes do rock brasileiro’. Foi quando comecei a escrever ‘A Noite Que Conheci o Mutante’. A partir daí, criei uma rotina de escrita. Em determinado momento, percebi que tinha vários rascunhos, não apenas sobre minhas experiências com artistas nacionais, mas histórias sobre bandas locais e festivais do Norte e Nordeste, por exemplo”, comenta. Foi quando o livro ganhou novo título e nova linha editorial.

Morando em Boa Vista (RR) desde 2014, onde trabalha na secretaria de Cultura do Estado, Nine encaminhou os rascunhos para um editor que o incentivou a lançar a obra o mais breve possível. Entre outras histórias abordadas no livro, está a participação da banda amazonense Tudo Pelos Ares no Rock in Rio de 2017 e sua experiência no show de Raul Seixas, ao lado de seu irmão, em 1989.

“A minha ideia não é polemizar, mas contar histórias polêmicas. Minha experiência com produtores culturais e bandas. Apesar do título, o rock não vai morrer, mas não vai mais existir como ele era. O pop tomou conta do mundo e o rock como se ouvia não existe mais. Qual outro Nirvana surgiu? Não tem outro nome, não têm muitas coisas relevantes. Permanecemos ouvindo U2, Guns N’ Roses”, desabafa.

De acordo com o jornalista, ‘apesar dos pesares’ Manaus “tem uma cena muito forte, mas não se dá conta do valor que tem”. “Percebo que o que precisa é menos polarização e mais ação. Acho que a questão das bandas locais é saber o que elas querem, algo que é muito mais comum em Boa Vista. Manaus tem muitos bons compositores e bandas como Luneta Mágica e a Tudo Pelos Ares. Para se ter noção, nunca uma banda do Norte se apresentou no Rock in Rio — o que a Tudo Pelos Ares fez foi algo histórico e ela é oriunda de Manaus”, ressalta.

O lançamento de ‘Os Últimos Dias do Rock’n’Roll’ está programado para acontecer entre os meses de abril e maio de 2019. “Já estou conversando com uma livraria nacional para que eu possa lançar o livro em Manaus, Boa Vista, São Paulo e Fortaleza (CE)”, finaliza.