Tradição e amor pelas danças folclóricas

Integrantes de grupos de danças do Amazonas contam os preparativos para os festivais folclóricos e como funcionam suas rotinas nesta época do ano

Bruno Mazieri/ redacao@diarioam.com.br

Manaus – Do mês de junho ao mês de setembro, os festivais folclóricos e festas juninas tomam conta da cidade. Seja em palcos amplamente elaborados ou os de ‘tablado’, as danças folclóricas são atrações indispensáveis para abrilhantar os eventos. Quadrilhas, tribos, cirandas e danças internacionais enchem os olhos daqueles que não perdem a oportunidade de um bom entretenimento. Mas o que muitos desconhecem são as histórias por de trás daqueles que dão vida às coreografias.

Filho da atriz Ednelza Sahdo, Marcos Sahdo, 45, participa de danças folclóricas desde os sete anos. “Meu primeiro contato com as danças se deu pela minha mãe, é uma tradição familiar. Minha primeira participação em uma quadrilha foi aos sete anos, na quadrilha Juventude na Roça, do bairro Cachoeirinha”, lembra ele. Desde então, são 25 anos participando de diversos grupos folclóricos.

Sahdo conta, por exemplo, que em 1991, Ednelza criou a quadrilha João e Maria, considerado por ele como um ‘boom’ na atualidade. “Ela (mãe) criou a primeira quadrilha cômica da cidade. Os homens se apresentavam vestido de mulher, mas sem vulgaridade, sem piadas de baixo calão ou qualquer coisa do tipo. Dávamos um tom de brincadeira para aquilo e sempre fomos muito bem recebidos, nunca sofremos preconceito”, diz ele.

Ao longo desse período, o folclorista – como faz questão de salientar – acabou enveredando pelo caminho da Educação Física, onde conseguiu se especializar na cultura popular e, consequentemente, nas danças. “A partir daí, consegui obter um maior embasamento para desenvolver as coreografias. Sempre fazíamos tudo no ‘achismo’”, explica o dançarino.

Somente em 2018, Sahdo está envolvido em 13 danças folclóricos em diversas funções dentro dos gupos: apresentador, coreógrafo e coordenador. De acordo com ele, as reuniões com os presidentes das danças se inicia em dezembro do ano anterior. “Em dezembro apresentamos as ideias, em janeiro e fevereiro fazemos o trabalho de pesquisa, organizamos músicas e figurinos e, na primeira semana de março, como diz o ‘caboco’, o couro come de ensaio”, brinca.

Cotidiano

Casado e pai dos filhos – uma menina de sete anos e de um menino de 14 anos -, o educador físico envolve toda a família durante os ensaios e apresentações. “Nosso lazer é ensaiar. Minha mulher participa de todas as danças que participo, meus filhos dançam. Nesse período jantamos juntos, vamos ao cinema juntos e ensaiamos juntos. Um folclorista vive tudo isso de sete a oito meses, por ano”.

Assim como a preparação técnica da dança é necessária, o preparo físico também. Sahdo revela que, apesar de não dançar mais, continua frequentando a academia diariamente – por conta de seu ofício –, mas enquanto apresentador, os exercícios vocais com o acompanhamento de um fonoaudiólogo são indispensáveis. “Já não faço mais parte do cordão, mas apresento todas as danças que participo e por conta disso, perco a voz com muita facilidade. O desgaste físico também é inevitável”, conta.

Ainda no que diz respeito ao preparo físico, ele revela que a alimentação, por conta dos horários das apresentações, não é nada saudável. “O problema é a alimentação. O horário desregrado acaba nos obrigando a comer os x-saladas da vida, é o que nos sustenta, já que não temos tempo. Jantar antes é algo impossível e acabamos comendo de madrugada”.

Para ele, as danças folclóricas significam “amor”. “Hoje, este é o sentimento que me move. Quando você vê o olhar do público, quando vejo meus filhos dançando… A dança para um folclorista também é um flho”.

Tradição

Assim como Marco Sahdo, Hanna Beatriz, 20, também participa de danças folclóricas desde os sete anos. “Tenho um irmão que participava de uma quadrilha e acabei entrando nas danças sem muito esforço, mais por brincadeira. Fui crescendo, entrando para o cordão, disputando festivais e desde os 13 anos participo de forma efetiva das apresentações”, fala a jovem, que compete pela Caipira na Roça, do bairro Betânia, e é vencedora do Festival Folclórico do Amazonas de 2010 a 2014.

Os ensaios dela, que acontecem próximo da Feira da Betânia, são de terça a domingo, das 19h às 21h, até sexta-feira e das 15h às 18h, aos sábados e domingos. “Eles (ensaios) iniciam em março. A minha vida se resume entre faculdade, trabalho e os preparativos para a quadrilha”, salienta a estudante de Letras do Centro Universitário do Norte (UniNorte).

Sobre seu preparo físico, Hanna frequenta academia somente nos finais de semana, quando tem tempo, e mantém uma alimentação normal. “Sempre fui muito magra e por isso não posso fazer uma dieta restrita. Procuro me alimentar de três em três horas para manter o peso ideal. Também faço caminhadas para fortalecer o corpo”.

Para a dançarina, é uma responsabilidade muito grande fazer parte do cordão. “É preciso estar presente nos eventos, participar de feijoadas e bingos que ajudam a dança. Desde pequena sempre foi um sonho dançar fora da cidade, mas estou em busca disso. Quanto mais participo, mais sei que é melhor para mim”, finaliza.