Três mulheres, três gerações e conflitos

Espetáculo ‘Além do que os nossos olhos registram’ chega a Manaus com atrizes cheias de ansiedade

Maria Luiza Dacio

Manaus – O Teatro Amazonas será palco para as atrizes Silvia Pfeifer, Olívia Torres e Raquel Penner, no próximo fim de semana. Em meio a conflitos e discussões, uma ou outra opinião compartilhada conduzem a trama de ‘Além do que os nossos olhos registram’, peça na qual três mulheres, com diferentes visões da vida e do mundo — avó, mãe e neta —, partilham entre si suas conexões familiares. As sessões acontecem no sábado, 7, às 21h, e no domingo, 8, às 19h. Os ingressos já podem ser adquiridos na bilheteria do Teatro.

Silvia Pfeifer e Olivia Torres não pouparam elogios ao Teatro Amazonas (Foto: Divulgação)

Interpretada por Silvia Pfeifer, Delfina, é a matriarca em cena e uma mulher sem preconceitos. Pela segunda vez em Manaus, a experiente atriz falou sobre a sensação de se apresentar no Teatro. “Fazer uma peça no Teatro Amazonas é uma honra enorme. Pisar naquele palco é emoção pura. Eu não fiz todas as cidades da turnê, estive nas cidades mais próximas com essa peça, por isso, a ansiedade. Estar em Manaus, mais uma vez, nesse Teatro, depois de quatro anos… Esse Teatro é muito emocionante”, reconheceu a atriz.

Veterana nas telas e palcos, Pfeifer aproveitou a oportunidade para exaltar as colegas de cena. “Contracenar com a Olivia é uma delícia! Ela faz a personagem muito bem. A avó e a neta se entendem muito bem na peça. Uma traz a sabedoria e a experiência por ser mais velha e a outra traz toda uma vitalidade, determinação e energia por ser jovem. É interessante como as duas compactuam”, explicou Silvia.

A filha

A caminho de Paquetá, no Rio de Janeiro, para gravar mais um projeto, Olivia Torres confessou ao PLUS sentir uma enorme expectativa para atuar, pela primeira vez, no palco do Teatro Amazonas.

“É um sonho para qualquer ator. É até meio engraçado porque existem alguns palcos que são, de fato, icônicos como o Teatro Amazonas. Eu escuto falar dele desde que eu comecei a trabalhar com isso e já escutei experiências de colegas que já foram. Estou, de fato, extasiada com a minha ida, sabendo que está sendo um lugar de resistência, é demais! Estou contando os minutos. Nunca fui a Manaus e vai ser uma oportunidade maravilhosa de conhecer a cidade. Eu tô (sic), tipo, muito animada”, confessou a atriz.

A peça fala de três gerações de uma família. “Elas são muito diferentes, primeiro, porque, naturalmente, pessoas com idades diferentes levantam o fator tempo, experiências e maturidade. O mundo em que foram criadas é sempre diferente e elas têm personalidades muito opostas. A minha personagem tem um clima adverso com a mãe e, em compensação, um bem complementar com a avó”, explicou Olivia.

Na trama, Sophia, personagem de Olivia, é gay e está se assumindo para a família. “A mãe (interpretada por Raquel Penner) quer que ela case com um menino por questões políticas e tem todo um debate sobre preconceitos, carinho e afeto. Além de falar sobre questões sociais importantes, é uma peça bem engraçada”, disse.

Sobre a relação com sua mãe e avó, fora da trama, Olivia garantiu ser oposta ao contexto do palco. “É ótima! Com minha avó, apesar de sermos muito diferentes, é de amor e respeito. Já eu e minha mãe somos muito próximas, de compartilhar muitos pensamentos de diversas questões. Ela tem uma veia política, vai aos protestos comigo. A gente é superparceira. É uma mulher que eu admiro muito e que amo de paixão. Às vezes, é conflituosa como toda relação de mãe e filha”, afirmou.

Para Olivia, o enredo comove, mas, também, encanta. “Essa peça é um espaço para discutir sobre esses temas porque comove o espectador. É um convite para pensar e se divertir. Vejo as pessoas chorando e sorrindo, ao mesmo tempo. Nós três estamos muito animadas e agradecidas de estar indo para Manaus”, concluiu.