Um reino ameaçado e mais assustador

Bryce Dallas Howard e Chris Pratt retornam para ‘Jurassic World: Reino Ameaçado’, continuação do sucesso de 2015. O filme é a grande estreia dos cinemas, nesta quinta-feira, 21

Gabriel Machado

Manaus – Na sua primeira cena em ‘Jurassic World – O Mundo dos Dinossauros’ (2015), a personagem de Bryce Dallas Howard, a gerente de operações do parque que dá nome ao filme, Claire Dearing, surge com seu icônico salto alto e um ‘ar de arrogância’, no elevador. Em ‘Jurassic World: Reino Ameaçado’, sequência do blockbuster — a grande estreia da semana, nos cinemas —, é exatamente desta forma que a mocinha ressurge, no início do longa.

No longa, Owen e Claire são recrutados para uma missão de ‘resgate’, na ilha Nublar (Foto: Divulgação)

Mas ela está diferente: no lugar das roupas engomadinhas, do cabelo perfeitamente arrumado e da responsabilidade de comandar um empreendimento bilionário, Claire está, agora, à frente de um grupo de jovens militantes que lutam pela vida dos dinossauros que restaram na ilha Nublar, prestes a ser destruída por um vulcão em erupção.

Novamente, é Dallas Howard que dá o pontapé inicial à trama, quando sua personagem é convidada pelo ambicioso Eli Mills (Rafe Spall) a retornar à ilha para uma suposta missão de resgate, com Blue, a velociraptor treinada por Owen (Chris Pratt), sendo a prioridade da operação. Esta particularidade faz com que Claire recorra ao ‘adestrador’ e seu antigo affair por ajuda. Não demora muito para que a dupla perceba, porém, as reais intenções de Eli.

Junto à venda dos bichos pré-históricos, mais uma vez, a combinação genética volta a aparecer como tema primordial em ‘Reino Ameaçado’.

É seguro dizer que, de todos os filmes da franquia, o dirigido pelo espanhol J.A. Bayona (‘O Impossível’, de 2012; e ‘O Orfanato’, 2008) é o mais diferente. Enquanto que ‘O Mundo dos Dinossauros’ aparentava ser uma readaptação megalômana do original de Steven Spielberg, de 1993, a atual produção começa a traçar um caminho próprio para a nova trilogia — apesar de, muitas vezes, ‘flertar’ com ‘O Mundo Perdido’ (1997).

Em ‘Reino Ameaçado’, pelo menos 70% da ação se passa na cidade (em uma mansão, mais precisamente). A mesma artimanha, utilizada no longa de 1997, acabou sendo bastante criticada à época. No entanto, aqui, ela funciona. Em diversos momentos, inclusive, o filme se desprende do gênero aventura e passa a trafegar pelo terror ou suspense. Prepare-se para alguns sustos e situações claustrofóbicas.

Novos personagens

Além do amadurecimento de Claire e da regularidade de Owen, ‘Reino Ameaçado’ brinda o telespectador com boas adições ao elenco. Neste quesito, os destaques ficam por conta da veterinária Zia Rodriguez (Daniella Pineda) e da jovem Maisie Lockwood (Isabella Sermon), neta do sócio de John Hammond, fundador do parque original.

O vilão principal, Eli Mills, também é uma grande evolução em comparação ao insosso Vic Hoskins (Vincent D’Onofrio), de ‘O Mundo dos Dinossauros’ — apesar da aparência e das atitudes genéricas de outros antagonistas do gênero.

O desfecho da produção deixa, é claro, um grande gancho para uma terceira parte, indicando um mundo coexistido tanto por homens quanto por dinossauros. No final das contas, o tal do reino ameaçado, apontado no título, acabou sendo o nosso.