Uma Lara Croft humanizada

Em ‘Tomb Raider: A Origem’, a sueca Alicia Vikander apresenta uma protagonista mais humana e menos sexualizada que a de outrora, interpretada por Angelina Jolie. Filme estreou na quinta-feira (15)

Gabriel Machado / plus@diarioam.com.br

Manaus – Em 2001, estreava a primeira adaptação para os cinemas do game ‘Tomb Raider’, com Angelina Jolie no papel principal. A produção, apesar de ter sofrido duras críticas por conta dos especialistas e fãs do jogo, teve um bom retorno comercial, o que resultou em uma sequência: ‘Lara Croft – Tomb Raider: A Origem da Vida’ (2003). A continuação, apesar de superior ao original, foi um completo fiasco nas bilheterias, o que fez com que as aventuras da arqueóloga fossem ‘arquivadas’, de vez, nos cinemas. Pelo menos, até a última quinta-feira (15).

Quase 15 anos após a última aparição de Lara Croft nas telonas, a personagem retorna em ‘Tomb Raider: A Origem’ – destaque nas salas de cinema, em Manaus. Desta vez, coube ao cineasta norueguês Roar Uthaug (‘A Onda’) e à atriz sueca Alicia Vikander, vencedora do Oscar por ‘A Garota Dinamarquesa’, conduzirem a nova empreitada da heroína.

A vencedora do Oscar Alicia Vikander é destaque em uma trama rasa e sem graça (Divulgação)

Diferente dos filmes estrelados por Jolie, no qual víamos uma protagonista já ‘formada’ e ciente de sua missão como caçadora de relíquias, ‘Tomb Raider: A Origem’ nos apresenta uma Lara ainda jovem, com seus 20 e poucos anos, lutando contra o luto de ter perdido o pai, Lord Richard Croft, que desapareceu após partir em uma viagem misteriosa. Negligenciando a fortuna que herdou, a personagem opta por viver uma vida simples, como entregadora de comida oriental, em Londres.

Toda essa comodidade muda quando Lara se depara com um quebra-cabeça que, casualmente, indica o destino para o qual o pai partiu, há cerca de sete anos. A partir daí, o espectador é presenteado com sequências (absurdas) de ação até o último ato do longa-metragem, de 122 minutos de duração.

‘Tomb Raider: A Origem’ – como o próprio nome já indica – tem a missão de apresentar aos fãs uma história de origem à personagem-título. E, neste quesito, fazendo uma análise superficial à trama, o longa obtém sucesso. A Lara Croft de Vikander possui uma pegada realista e bem menos sexualizada que a de Jolie, o que faz com que a sueca já ganhe alguns pontos com quem for conferir a produção. O problema, como já deve ter ficado claro, mais acima, está na história em que a heroína se insere. Além de raso e sem graça, o enrendo do novo ‘Tomb Raider’ possui diversos furos, o que deve incomodar, até mesmo, o menos exigente dos espectadores.

O arco mais sentimental do filme, que envolve pai e filha, também deve incomodar. Dominic West, que dá vida a Richard Croft, está completamente caricato como o patriarca da família, a ponto de fazer com que desejemos que o seu personagem tivesse sido riscado por completo do longa.

Em contrapartida, as cenas de ação, combinadas ao comprometimento e carisma de Vikander, já valem o ingresso. No decorrer do filme, vemos a protagonista saltar de uma distância de quase dez metros; despencar de um avião, em uma queda d’água; e desviar (em grande estilo) de diversas armadilhas mortais. O visual de ‘Tomb Raider: A Origem’ é, ainda, um presente aos fãs do game. Muitos cenários e sequências são parecidos – senão iguais – a alguns dos quadros apresentados nos jogos.

Como veredicto, a nova aventura de Lara Croft, apesar das falhas, é superior aos filmes estrelados por Jolie. Caso tenha o retorno comercial esperado (o orçamento da produção é de US$ 94 milhões), será interessante acompanhar onde Vikander nos levará como Lara Croft.