Visual arrebatador de ‘Animais Fantásticos’ salva continuação

Com muitos personagens e trama carregada, ‘Os Crimes de Grindelwald’ peca pelo excesso, mas é salvo por protagonistas carismáticos e efeitos visuais de encher os olhos

Da Redação / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Após sete anos, desde que estreou o último filme da saga de Harry Potter, ‘As Relíquias da Morte: Parte 2’, os fãs da franquia literária criada por J.K. Rowling puderam regressar à emblemática escola de magia e bruxaria de Hogwarts – local em que se ambientou boa parcela das aventuras do bruxinho. Mas, desta vez, o protagonista sai de cena e o público é apresentado a uma versão mais jovem de Albus Dumbledore, aqui, na pele de um charmoso Jude Law.

É seguro dizer que a reapresentação do personagem é um dos maiores trunfos de ‘Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald’ – grande lançamento da última semana, em Manaus. Com uma trama mais elaborada que seu antecessor, ‘Animais Fantásticos e Onde Habitam’ (2016), o longa se apoia em efeitos especiais de encher os olhos para manter a força da longeva série de livros e filmes, que já dura 21 anos.

Presença de Albus Dumbledore, interpretado por Jude Law, é um dos trunfos da produção (Foto: Reprodução/YouTube)

Neste capítulo, Newt Scamander (Eddie Redmayne) é recrutado pelo seu antigo professor em Hogwarts, Dumbledore, para encontrar Credence (Ezra Miller) – que não apenas sobreviveu aos eventos do primeiro longa como, também, está em busca da identidade de seus pais biológicos. A busca pelo jovem tem um objetivo específico: encontrá-lo antes que Gellert Grindelwald (um caricato Johnny Depp) o faça. Aparentemente, Credence é peça primordial para uma possível guerra no mundo bruxo e o único capaz de destruir Dumbledore.

Durante a missão, Newt volta a se esbarrar com a determinada Tina (Katherine Waterston), agora auror, e o casal Queenie (Alison Sudol) e Jacob (Dan Fogler) – além de inúmeras criaturas mágicas. Destaque para o chinês ZoWu, que mais parece uma fusão do Gato Listrado de ‘Alice no País das Maravilhas’ com o cão-dragão de ‘A História sem Fim’.

A sintonia entre o casal de protagonistas, Newt e Tina, continua afiada, e é interessante ver que Rowling tem tomado o seu tempo para desenvolver, de forma calma e natural, a relação entre a dupla (semelhante à maneira que fez com Harry e Gina Weasley, na saga original). A outra parte da ‘gangue’ de heróis, Queenie e Jacob, também tem mais material para se trabalhar em cena. Os namorados, que foram utilizados basicamente como alívio cômico, em ‘Animais Fantásticos e Onde Habitam’, agora, lidam com as dificuldades do relacionamento – ela quer casar, mas existe uma lei que proíbe a união de uma bruxa com um trouxa (pessoa não mágica). Queenie, então, acaba ‘buscando’ ajuda com um aliado improvável, o que abre um leque gigantesco de possibilidades para os próximos filmes da nova franquia.

Já a trama principal de ‘Os Crimes de Grindelwald’ possui suas falhas, camufladas por visual arrebatador. O excesso de personagens e a inserção de flashbacks, aliados a uma narrativa não linear, acaba complicando o entendimento da história, que termina com uma revelação ‘bombástica’ – meio que sem explicação, no entanto. Pessoas que não estejam familiarizadas com o universo de ‘Harry Potter’ terão uma certa dificuldade de compreender (corretamente) o longa.