Vivemos em um mundo de pessoas carentes’

Foto: Gustavo Stephan/Reprodução

Bruno Mazieri / plus@diarioam.com.br

Manaus – No dia 18 de março, o ator carioca Marcus Majella desembarca, em Manaus, devidamente acompanhado de Pedroca Monteiro e Pablo Sanábio, para encenar o espetáculo ‘Desesperados’, a partir das 21h, no Studio 5 Centro de Convenções. Em entrevista ao PLUS, o responsável pelo personagem Ferdinando, do ‘Vai Que Cola’, falou sobre a montagem e qual a relação do público com o texto, adiantou detalhes sobre o seu primeiro longa enquanto protagonista e da sua realização profissional.

Entrevista

MARCUS MAJELLA
Ator e comediante

Em ‘Desesperados’, vocês mostram o cotidiano de pessoas solitárias, tristes e carentes, mas com humor. Você acredita que, ultimamente, o mundo está mais assim?

Acho que sim. As pessoas estão mais carentes e isoladas cada vez mais. Porque a criação de hoje é completamente diferente. O mundo está mais violento. Então, as pessoas estão ficando cada vez mais dentro dos seus muros. Os filhos ficam em casa, jogando video game, as crianças ganham smartphones cada vez mais cedo e isso, ao invés de ligar, desliga as relações.

Como é a reação do público? Existe uma identificação por parte da plateia com os personagens?

As pessoas se identificam muito! Chegam para mim e falam que conhece alguém que é parecido com o personagem da peça e isso é muito engraçado, porque essas pessoas estão aí. Estão solitárias e elas estão do nosso lado. Eu também conheço pessoas assim e me inspirei em amigos para fazer esses personagens.

Como foi a decisão de aceitar participar do espetáculo?

Há muito tempo estava procurando um texto para fazer teatro. Li muita coisa e não conseguia me identificar, pois queria, justamente, uma peça que fosse uma comédia, mas também levasse uma mensagem para o público e que ele saísse refletindo e com dor no maxilar de tanto rir. E não acha esse equilíbrio em texto.

Até que pedi para o ‘Silvinho’ Guindane (o Lacraia, do ‘Vai Que Cola’) uma dica de texto. Logo em seguida, ele me ligou que tinha esse texto do Fernando Ceylão, montado há 10 anos, que é superatual e que eu iria gostar muito. Peguei e li com o ‘Pablito’ Sabino, um ator com o qual me identifico e queria trabalhar. E o Ceylão é um cara que sou muito fã e deu tudo certo. O João Fonseca, que me dirigi no ‘Ferdinando Show’, tinha disponibilidade; o Ceylão aceitou, chamamos o ‘Pedroca’ Monteiro e tudo conspirou a favor.

Você ganhou fama fazendo humor, mas já pensou em buscar algum trabalho com um viés mais dramático?
Está nos meus planos coisas dramáticas, sou ator e gosto de fazer tudo. Se o personagem for bom, ‘tô’ dentro. Inclusive, agora, vou estrear meu primeiro filme chamado ‘Um Tio Quase Perfeito’, meu primeiro longa como protagonista e ele tem uma pegada dramática. Ele é engraçado, mas com momentos de drama. O filme (infantil e produzido por Mariza Leão) estreia em junho e o público poderá ver os meus dois lados: o de ator cômico e dramático. Estou bem ansioso e feliz!

Como tem sido protagonizar o ‘Ferdinando Show’?

Fazer o ‘Ferdinando Show’ é o máximo! Adoro o Ferdinando é um personagem que ganhou tanta repercussão que recebeu um programa próprio. E as pessoas, hoje em dia, nas ruas, comentam tanto do ‘Vai Que Cola’ quanto do ‘Ferdinando Show’, e isso, para mim, é o máximo. O programa tem uma audiência muito forte e tenho uma resposta do público nas redes sociais e nas ruas. Ele (Ferdinando) já realizou muitos sonhos meus.

Você continuará no ‘Vai Que Cola’?

Sim, continuo firme e forte! Adoro fazer o programa e não saio de lá de jeito nenhum. Ele é a minha paixão e vou para lá feliz da vida, porque sei que vou trabalhar e dar gargalhadas junto com meus amigos.