ALE: 50% é de partido com doações da Umanizzare

Asafe augusto e Redação / Redacao@diarioam.com.br

Manaus – Metade dos 24 parlamentares na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE) são de partidos com candidatos que receberam, em 2014,  doações da Umanizzare Gestão Prisional e Serviços Ltda., da RH Multi Serviços Ltda. (antiga Conap), e outras empresas do mesmo grupo, que faturou mais de R$ 1,1 bilhão nos governos de José Melo (PROS) e de Omar Aziz (PSD) e doou cerca de R$ 2,5 milhões para ajudar a eleger o atual governador, deputados federais e deputados estaduais da sua base aliada.

Os parlamentares que receberam o maior aporte de recursos desses grupos empresariais que estão ligados à administração de presídios no Estado foram do PROS, DEM, PSD e PTN. Os dados estão disponíveis no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). De acordo com o site, em 2014 Melo recebeu via diretório estadual do PROS, a doação de R$ 1,2 milhão da Serval Serviços e Limpeza Ltda. Segundo matéria publicada no jornal O Globo, no dia 8 de janeiro, a Serval é de propriedade de Luiz Fernando Monteiro Bittencourt, filho do  presidente da Federação do Comércio do Ceará (Fecomércio-CE), Luiz Gastão Bittencourt, cuja mulher Eliana Gurgel Monteiro Bittencourt é sócia da RH Multi Serviços Ltda. Melo também recebeu R$ 300 mil da empresa Auxílio Agenciamento de Recursos Humanos, que já administrou presídios no Amazonas, antes da Umanizzare, e cujo sócio é Luiz Gastão Bittencourt.

Entre os deputados federais, as empresas que atuam no sistema penitenciário doaram para as campanhas de Silas Câmara (PSD), Átila Lins (PSD) e Pauderney Avelino (DEM). Silas recebeu R$ 200 mil diretamente da Umanizzare. As doações da empresa também foram significativas para a mulher e filha de Silas Câmara que concorreram, em 2014, aos cargos de deputada federal e estadual, respectivamente, no Acre, num total de R$ 750 mil.  Átila recebeu R$ 120 mil da RH Multi Serviços Ltda. e R$ 160 mil da Serval Serviço de Segurança Ltda., que oferece mão de obra terceirizada, em Fortaleza. Avelino  recebeu R$ 400 mil da Auxílio, que também doou R$ 300 mil para Carlos Souza (PSD), que não conseguiu se reeleger, em 2014.

Entre os quatro deputados estaduais, cujas prestações de contas demonstram doações de empresas ligadas a empresas que atuam no sistema penitenciário do Amazonas, os que receberam o maior aporte de recursos financeiros foram os eleitos pelo PTN. Em 2014, o deputado estadual Abdala Fraxe, que preside o partido no Estado, recebeu R$ 200 mil da Auxílio para sua campanha. Seu colega de partido, Orlando Cidade, recebeu R$ 150 mil.

Na ALE, também estão em partidos com candidatos beneficiados pelo grupo econômico da Umanizzare, o presidente da Casa, David Almeida (PSD), Belarmino Lins (PROS), Josué Neto (PSD), Platiny Lopes (DEM), Ricardo Nicolau (PSD), Carlos Alberto (PRB), Augusto Ferraz (DEM), Francisco Gomes (PSD), Francisco Souza (PTN)  e Sidney Leite (PROS).

Quase todos esses  parlamentares estaduais não têm se mostrado ser favoráveis à investigação dos contratos com o grupo da Umanizzare, mesmo após o massacre que deixou mais de 60 mortos nos presídios administrados pela empresa, em Manaus.

O deputado José Ricardo (PT) disse que os deputados dos partidos que receberam dinheiro das empresas ligadas à Umanizzare não vão querer investigar nada. “O silêncio impera para esse tipo de político. A metade da arrecadação política de Melo veio de empresas que prestam serviços para o Estado”, disse.

A deputada  Alessandra Campelo (PMDB) afirmou que os partidos e os deputados que receberam financiamento da gestora dos presídios do Amazonas devem explicar qual o tipo de relação tem com essas empresas. “Eu imagino que a Umanizzare deva ter um contato com esses parlamentares, pois, ela não iria financiar uma campanha sem ter qualquer conhecimento, afinidade ou expectativa por esse parlamentar”, disse.

Defesa

De acordo com o líder do governo na ALE, Sabá Reis (PR), as investigações dos contratos  da Umanizzare não serão prejudicadas pelo fato de partidos dos deputados terem recebido doação da empresas.  “Não atrapalha em investigações. O que era ontem não é hoje. Política é igual a uma nuvem que você olha está de uma forma depois está de outro jeito”, disse.

Para o líder do PSD, Josué Neto, as doações não influenciam as decisões. Disse que os recursos recebidos por seu partido foram “dentro da lei”.

Serafim Correa (PSB) ressaltou que seu partido não recebeu qualquer tipo de verba de empresas ligadas a gestão prisional do Estado e afirmou que a casa tem 24 deputados e não apenas os que receberam ajuda financeira.