ALE recebe pedido para abrir CPI que investiga licitações de Amazonino

Proposta de instauração da CPI visa apurar as dispensas de licitação realizadas no governo tampão de Amazonino Mendes (PDT). Trabalhos legislativos na casa foram retomados nesta quarta

Asafe Augusto

Manaus – A Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE) recebeu, nesta quarta-feira (1º), a proposta de instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as dispensas de licitação realizadas no governo tampão de Amazonino Mendes (PDT). Esta quarta-feira também marcou a volta dos trabalhos legislativos na Casa.

Mudança de partidos se intensificam nos últimos dias na ALE (Foto: Sandro Pereira)

O autor da proposta, deputado Sabá Reis (PR), informou que decidiu esperar pela volta ao Plenário para ingressar com a CPI, à pedido de deputados da base aliada. De acordo com o deputado, que fez um discurso sustentando a investigação, o governo fez 535 dispensas de licitação, o que envolve valores de R$ 451 milhões, à contar de outubro de 2017, até agosto de 2018.

O início do andar da CPI na Assembleia só foi possível pelo fato de o pedido já conter as oito assinaturas necessárias e que são previstas no Regimento Interno da Casa, para a instauração da Comissão. Assinaram Sabá Reis, Platiny Soares (PSB), Abdala Fraxe (PODE), David Almeida (PSB), Francisco Souza (Podemos), José Ricardo (PT), Luiz Castro (REDE) e Serafim Corrêa P(PSB).

Sabá Reis deu um dos exemplos de dispensa de licitação feita pelo governo, apresentando um livro que segundo ele, o governo comprou por R$ 50 a unidade, fora do Estado, mas em Manaus o mesmo livro custa, em média R$ 3,90.

“Minha intenção é evitar esse assalto com verbas federais do Fundeb. Aí a gente vai percebendo por onde é o ralo do desvio do dinheiro. Qualquer pessoa percebe a corrupção. É uma roubalheira sem tamanho. Imaginem o que é que pode ter por trás de tudo isso. Aqui tem interesse escuso, dinheiro para utilizar na campanha eleitoral”, afirmou Reis.

O presidente da Assembleia, deputado David Almeida, que a partir de agora define os rumos da CPI, tratou o assunto com calma, afirmando que vai obedecer o regimento. Vamos seguir o regimento. Vou encaminhar tudo para a Procuradoria da Casa que vai dar seu parecer. Em aproximadamente 15 dias eu já poderei dar o encaminhamento necessário”, disse.

Já o líder da base aliada ao governador, deputado Dermilson Chagas (PP), que estava com os ânimos exaltados, criticou a CPI afirmando que ela é um instrumento politiqueiro. Dermilson não falou com a imprensa, mas em seu discurso da Tribuna disse que os deputados oposicionistas tinham que investigar desde o governo de José Melo.

“Não passa de bravata e bacaba do deputado Sabá Reis. Quer ser o paladino da moral. Não lê os jornais, ou se leu não quis falar. Infelizmente é só agressão que não resulta em nada”. O Estado paga caro por essa omissão dos deputados que apoiavam Melo e agora dificultam o trabalho do governador”, discursou.

Também da base aliada, o deputado Adjuto Afonso (PDT), disse que os governos dos últimos dez anos também teriam que ser investigados. O deputado Serafim Corrêa (PSB) afirmou que o processo deve ser tratado com celeridade na Assembleia. Segundo ele, já existem deputados dispostos a fazer parte da Comissão para começar a investigação o mais rápido possível.