Amazonas pagou R$ 836 milhões à Umanizzare em 4 anos

Segundo os dados disponíveis no Portal da Transparência, 2016 foi em que a Umanizzare mais faturou recursos do Estado: R$ 302 milhões. No ano passado, a empresa recebeu R$ 184 milhões

Álisson Castro / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Nos últimos quatro anos, a empresa responsável por gerenciar unidades prisionais no Amazonas, Umanizzare Gestão Prisional e Serviços Ltda. recebeu R$ 836 milhões do governo do Estado. O valor representa 76,6% de todas as despesas da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) desde 2015, segundo dados do Portal da Transparência do governo do Amazonas.

Entre 2015 e 2018, a Seap realizou pagamentos que totalizam R$ 1,092 bilhão. Segundo os dados disponíveis na internet, 2016 foi em que a Umanizzare mais faturou recursos do Estado: R$ 302 milhões. No ano passado, a empresa recebeu R$ 184 milhões.

Palco do massacre em janeiro de 2017, Compaj é gerido pela Umanizzare. (Foto: Sandro Pereira/Arquivo)

Em 2017, ano do massacre no sistema carcerário do Amazonas que deixou 67 mortos, a maioria em unidades administradas pela Umanizzare, a empresa recebeu, pelo menos, R$ 214 milhões, via Seap. Em 2015, a empresa recebeu menos da metade, R$ 135 milhões.

De acordo com relatório do Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM), divulgado em 2017, a empresa cobra R$ 4,7 mil do Estado por detento, o dobro do que um preso custa em média no restante do País. Outro dado citado afirma que o governou gasta 88% do orçamento da Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap) com a Umanizzare.

Na época, a Umanizzare informou que sempre estará à disposição dos órgãos fiscalizadores e que cumpre integralmente os termos dos contratos assinados com o Governo do Amazonas.

Responsável

Em janeiro de 2017, o então ministro da Justiça, Alexandre Moraes, disse que a “responsabilidade visível e imediata” do massacre ocorrido no Complexo Prisional Anísio Jobim (Compaj), é da empresa Umanizzare, responsável pela administração do presídio. “O presídio é terceirizado. Não é uma PPP (Parceria Público-Privada). É terceirização dos serviços. Basta verificar os fatos para ver que houve falha da empresa. Não é possível que entrem armas brancas e armas de fogo, e que todos saibam antes, pela internet, por meio de selfies de presos. Quem tinha a responsabilidade imediata para verificar essa entrada e a festa de final de ano é a empresa que faz a segurança”, disse o ministro.

Um levantamento feito pelo jornal O Globo mostrou que, desde 2003, foram criadas ao menos 12 empresas que orbitam em torno da família Bittencourt e tomaram conta do mercado de gestão de cadeias no Amazonas. As firmas receberam direta ou indiretamente mais de R$ 1,1 bilhão. O MP-AM pediu ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) que avalie a rescisão dos contratos com a Umanizzare, por suspeitas de superfaturamento, mau uso do dinheiro público, conflito de interesses empresariais e ineficácia da gestão.