Após nova pesquisa eleitoral, Arthur chama Alckmin de ‘barco furado’

O prefeito de Manaus reclamou de o partido indicar apenas Alckmin aos institutos de pesquisa. A nova crítica reside nos baixos índices de intenções de voto de Alckmin nos cenários apresentados

Das Agências

Manaus – Depois de chamá-lo de ‘coveiro do PSDB’, o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB), agora classificou o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, como ‘barco furado’ na pretensão do partido em colocá-lo como candidato ao Planalto. A nova crítica reside nos baixos índices de intenções de voto de Alckmin nos cenários apresentados pela última pesquisa Datafolha, segundo informou, nesta quarta-feira (7), o UOL.

Ex-deputado por três mandatos, ex-senador e ex-ministro do governo Fernando Henrique Cardoso, Virgílio falou na véspera de uma reunião da executiva nacional, em Brasília, que pode definir o formato das prévias de março em que ele disputará com Alckmin o posto de presidenciável. O amazonense reclamou de o partido indicar apenas Alckmin aos institutos de pesquisa.

Para Arthur, lei que multa quem jogar lixo busca disciplinar (Foto: Mário Oliveira/Semcom)

Na avaliação dele, isso mina sua possibilidade de tentar reverter os ainda baixos índices de votos ao PSDB entre o eleitorado pesquisado. Criticou também a falta de definição do tucano em relação às prévias, cujo formato só deverá ser conhecido nesta quarta-feira, a um mês do embate entre os pré-candidatos.

“Quero usar (a aparição nas) mídias sociais, (na) imprensa, e, através disso, conquistar posição e pontos acima dele. Para que os convencionais percebam que tem o barco furado e tem um barco que dá esperança. Para mim, Alckmin representa um barco furado”, disse Arthur. “A menos de um mês, não sabemos que prévias são, quantos debates haverá entre os postulantes… Isso tudo tinha que ter sido definido antes”, acrescentou.

Filiado ao PSDB desde 1989, Virgilio ironiza a ênfase com que Alckmin se coloca como alternativa mais viável para a disputa e sugere que o governador tenha apoio por ser o presidente nacional da sigla. “Se ele não fosse presidente do partido, o que ele faria? Eu já fui presidente do partido, eu sei. O partido teria que ter recomendado meu nome aos institutos de pesquisa como segundo cenário – nunca fizeram isso. Quem garante que eu não teria passado ele já? Alckmin está estagnado. Por que todo esse privilégio se ele tem 7% de intenção de voto nas pesquisas? O que é tão imbatível assim a ponto de todo mundo se juntar e considerar pecaminosa a minha pretensão?”, indagou.

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“Se o governador estivesse com 50%, eu nem discutiria. Mas ele está com 7%, dependendo de fulano, de beltrano… está tudo muito confuso. Eles têm uma opção dentro do partido que fala a linguagem do povo. Sei falar a linguagem do Nordeste, do Norte, do Sudeste, do Sul e do Nordeste que vive em São Paulo – o que eu falo todo mundo entende”, afirmou Arthur, referindo-se à dificuldade de Alckmin de avançar na pretensão do eleitorado nordestino – onde, nos cenários com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa, o governador aparece ainda com menos chances.

Virgilio chegou a usar a epidemia de febre amarela em São Paulo para criticar o governador paulista. “Por mais que Manaus seja muito pobre perto de São Paulo, controlamos as endemias. Se Alckmin vier aqui debater comigo, terá que trazer o cartãozinho provando que foi vacinado contra a febre amarela”, alfinetou. São Paulo concentra hoje o maior número de mortes pela doença no País.

Sobre a falta de apoio que tem recebido do partido, o prefeito de Manaus mais uma vez demonstrou insatisfação com as declarações públicas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que embora já tenha defendido Alckmin como ‘candidato competitivo’, tem alternado elogios ao apresentador da TV Globo Luciano Huck, que diz não ser candidato. No Datafolha, Huck, sem partido, apareceu à frente de Alckmin em alguns cenários.

“Apesar de Huck aparecer à frente de Alckmin, não vejo credenciais nele”, disse Virgilio. “Entendo que eu merecia um pouco mais consideração do partido e inclusive de FHC. Fui ministro dele, ele sabe com que fidelidade o atendi. Que pecado eu cometi? Por que não colocar meu nome para testar?”.

Indagado se cogita deixar o partido caso as prévias não sejam realizadas ou se não for escolhido para a disputa presidencial, Virgilio foi enfático: “Vou continuar firme até o final e lutar para ultrapassá-lo nas pesquisas. Mas, nessas hipóteses, concluirei meu mandato entregando uma obra bem compacta ao povo de Manaus e abandonarei a vida pública como candidato. Estou meio farto da política e, caso não seja escolhido, vou participar (da política) sem ser candidato. Vou fazer palestras, escrever livros, opinar…”, declarou.

A assessoria de imprensa da executiva do PSDB informou que “o partido não se envolve na disputa entre seus filiados” e que, portanto, não comentaria o assunto. Alckmin minimizou estagnação em pesquisa sobre o desempenho na última pesquisa Datafolha. Semana passada, o governador avaliou que é cedo para falar sobre suas chances na disputa pela Presidência, mas garantiu estar confiante. “Essa é uma corrida de resistência e trabalho. O voto não vai se definir agora”, declarou.

Alckmin afirmou que a população só deve escolher o candidato quando a campanha eleitoral começar, em agosto. Até lá, ele diz que as pesquisas não devem ter grandes oscilações. Em dezembro, ao ser cobrado publicamente pelo prefeito manauara sobre a realização de prévias no partido, o governador amenizou: “Prévia não divide, prévia escolhe. Você pode escolher em um ambiente mais restrito e você pode escolher em um universo maior. Quanto mais você amplia e escuta, menos você erra, mais você acerta”, definiu na ocasião. “As democracias, os partidos, não podem ser cartório. Eles precisam dar exemplo de vida democrática.”