Arthur critica Amazonino e afirma que próximo governador será de seu grupo político

“Estou fora do pleito, mas pretendo ser um ativo nessa luta por uma Manaus irmanada com o governo do Estado", disse o prefeito de Manaus

Asafe Augusto / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Ao confirmar o rompimento com o governador Amazonino Mendes (PDT), o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB), afirmou, nesta segunda-feira (19), que vai ganhar a eleição deste ano para o governo quem estiver ao lado de seu grupo político. A declaração do prefeito foi feita durante uma visita as obras de drenagem profunda, na Avenida Djalma Batista, zona centro-sul da capital.

Ao citar as pendências do governador, o prefeito disse que Amazonino não vem cumprindo com o seu papel. Arthur enfatizou que prefere trabalhar ao lado de um governador que dê atenção à cidade de Manaus e não apenas prometa soluções que, no futuro, não são realizadas.

Arthur afirmou que rompeu com o governador Amazonino Mendes (Foto: Alex Pazuello/Divulgação Semcom)

“Estou fora do pleito, mas pretendo ser um ativo nessa luta por uma Manaus irmanada com o governo do Estado. O governador deve um compromisso pessoal comigo de R$ 100 milhões para obras em Manaus e deve, segundo o economista e deputado estadual Serafim Corrêa, R$ 800 milhões do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), que foi calculado de forma equivocada”, comentou o prefeito.

De acordo com o prefeito, o governador está fazendo o contrário do que prometeu quando recebeu o seu apoio na eleição suplementar para o governo, realizada em 2017. “Ele não está fazendo nada mesmo. Nunca morri de tanta confiança nele. Eu o apoiei achando que ele não seria candidato, que foi o que ele prometeu. Apoiei achando que ele arrumaria as finanças do Estado. Ele diz que está tudo bem e não é verdade. O Estado teve um crescimento de arrecadação acompanhando o crescimento que o Brasil vem tendo”, disse.

Conforme o prefeito, o Estado está em uma linha no limite da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). “Nós aqui continuamos pagando as datas-base para todos e sabemos os nossos limites. O governador deveria fazer uma reflexão. Eu e minha família votamos nele e ele deveria fazer algo melhor por Manaus”, comentou.

Arthur também criticou a reunião feita pelo governador com 57 prefeitos no auditório da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), onde prometeu um socorro financeiro para alguns municípios do Amazonas.

“Eu não estou negociando pois não sou uma prostituta política, ele (Amazonino) pode negociar com o prefeito que quiser. Já passou do tempo de dizer que ganha a eleição por ter tantos prefeitos o apoiando ou por ter soldadinhos ao seu lado, isso não quer dizer nada. Ganha quem tiver a melhor mensagem para o povo”, ponderou.

Mesmo com a janela da troca de partido aberta pela legislação eleitoral, e após apontar inúmeros desentendimentos com a cúpula nacional do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Arthur rechaçou qualquer possibilidade de sair da legenda, mas disse que o PSDB que ele conhece ‘está morto’.

“Não quero sair, mas gostaria que aquele pessoal saísse e deixasse o partido para quem tem os ideais de Mário Covas e não para quem trabalha política desse jeito. A gente viu a confusão das prévias, e digo com muito pesar que o partido que ajudei a crescer, pelo qual lutei e dei 30 anos da minha vida, morreu”, afirmou, ao ressaltar que continua no PSDB por ter a expectativa de poder reconstruí-lo. Arthur ratificou que prefere sair da política do que deixar o partido.

Sobre o processo eleitoral deste ano, o prefeito disse que “vai ganhar as eleições quem estiver comigo”. De acordo com Arthur Neto, ainda não é hora de dizer quem vai receber o seu apoio, mas fez questão de pontuar que são muitos os nomes que estão no páreo e apresentam uma trajetória de político honesto e capacitado, com chances de fazer uma chapa vencedora.

O prefeito ressaltou que não disputará cargo eletivo e vai cumprir o que disse em relação a concluir o seu mandato no Executivo Municipal. “Eu não sou candidato a nada. Eu disse desde o começo. E parecia que eu estava blefando, que eu queria uma coisa para atingir outra, quando quis ser candidato à Presidência. Mas vou cumprir o que disse”, disse.