Arthur Neto diz que David Almeida faz uso irresponsável do nome de ministro

Em mensagem enviada ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, o prefeito diz que David Almeida “antecipa aos quatro ventos" que, no dia 3 de agosto, o ministro tornaria a suspender as eleições diretas para governador

Manaus – O prefeito de Manaus, Arthur Neto (PSDB) divulgou, neste domingo (30), uma mensagem que enviou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski, informando que o deputado David Almeida (PSD), presidente da Assembleia Legislativa  e governador “tampão”, usa “levianamente” o nome dele (Lewandowski), “antecipando aos quatro ventos que, no dia 3 próximo”, o ministro tornaria a suspender as eleições diretas para governador, marcadas para o dia 6 deste mês.

Arthur enviou mensagem ao ministro neste domingo (Foto: Marcio James/ Semcom)

De acordo com a mensagem de Arthur, “círculos próximos ao interino envolvem um certo dr. Gustavo, advogado da causa inglória de trocar o voto popular pela opinião de 24 deputados”. O prefeito diz que “estamos às portas de uma eleição”, que a Justiça Eleitoral “já despendeu vultosos recursos para fazer face à complicada logística do meu estado”, que “os candidatos pararam suas vidas, fizeram gastos, contrataram profissionais e serviços vários” e que “o povo entenderia como afronta impedi-lo de escolher”.

Arthur diz ao ministro que “a Assembleia é obviamente necessária à democracia…porém, mais obviamente ainda, sua legitimidade não é maior que a do poder original e primeiro, que está no título de eleitor e na urna”. “A democracia tem permitido que venham à luz as aberrações que temos presenciado. A ditadura escondia, pela força, os crimes e as negociatas que se praticavam contra a nação. Logo, voto popular, sim; ‘colêgio eleitoral, não’”, afirma o prefeito.

Ainda na mensagem ao ministro, o prefeito diz que “o Amazonas vive o caos que lhe legou a prática organizada da corrupção”. E acrescenta: “o governador tampão apenas tem contribuído para agravar esse quadro lamentável. Vive a fixação de se manter no poder a qualquer preço, esquecendo-se de que o destino lhe reservara a missão nobre de dar início ao processo  de normalização de um Estado que sangra dolorosamente. Seus dias são desperdiçados batendo perna em caríssimos escritórios de advocacia de Brasília. Seus dia são perdidos, inclusive, quando difama um ministro do STF, que sempre respeitei e estimei, apregoando que “está tudo certo para o dia 3 e o cancelamento das eleições diretas”.

A mensagem ao ministro encerra com o prefeito dizendo: “Escrevo-lhe, caro ministro, convicto de que agi acertadamente ao recebê-lo em meu gabinete de senador e em articular votos que o guindaram à mais elevada corte deste País. Não aceito vê-lo arrastado, tenho certeza de que inocentemente!, à convivência promíscua com negocistas da baixa política, seja diretamente, seja por meio de intermediações de cor cinza. Conte com minha solidariedade nesse campo, porque, repito!, jamais poderia acreditar na boataria, certamente sem crédito, espalhada por figuras despidas de qualquer eiva de credibilidade. Tentei falar-lhe ao telefone inúmeras vezes, assim como lhe deixei mensagens via SMS e WhatsApp. Como não obtive retorno, recorri a este meio para lhe passar o clima de angústia e incerteza que aflige os brasileiros que dedicam suas vidas ao Amazonas. Muito cordialmente, Arthur Virgílio Neto”.

O site Diário do Poder (www.diariodopoder.com.br), informou que o ministro Lewandowski havia virado “ personagem central na disputada eleição para governador do Amazonas” e que “o governador interino Davi Almeida, que tenta permanecer no cargo por meio de eleição indireta, anunciou entre seus aliados que o próximo dia 3 é a data da liminar a ser concedida” e que “o ministro nem sequer tem conhecimento do uso que se faz do seu nome na campanha amazonense”.

O site disse que Almeida se elegeu deputado estadual, se transformou e “é acusado de trair a todos, do senador Omar Aziz (PSD) ao ex-governador José Melo, que o elegeu presidente da Assembleia Legislativa. O site também disse que  Arthur é uma das lideranças políticas do Estado preocupadas com a intranquilidade provocada pelas manobras do governador interino. “Não acredito que o ministro Lewandowski se restasse a isso”, disse Arthur.

 

David responde

Em nota, o governador David Almeida disse que “não tem qualquer ação instrumentalizada no TSE ou STF envolvendo o debate sobre eleições suplementares no Amazonas”. Diz a nota:

“Tais afirmações envolvendo a pessoa do governador são absurdas e inverídicas, sendo desarrazoado tal ilação, somente justificada por quem está contaminado pelas disputas políticas ocasionais, em frontal desrespeito à população do Estado do Amazonas. Por fim, o cidadão David Almeida sente-se profundamente ofendido com o assaque gratuito a sua honra por quem há pouco só lhe rendia homenagens, não lhe restando outra alternativa senão a busca de reparação frente ao Poder Judiciário”.