Bancada do Amazonas reage à reforma da previdência

Único a declarar voto a favor, Pauderney Avelino disse que a reforma é necessária para evitar um desastre na previdência. “Países que não fizeram a reforma e estão encalacrados”, disse

Álisson Castro / portal@d24am.com

Foto: EBC

Manaus – Quatro dos oito deputados federais do Amazonas irão votar contra a reforma da Previdência social na Câmara dos Deputados, de acordo com levantamento do jornal O Estado de São Paulo divulgado, nessa quinta-feira (6), no portal do grupo Estadão. Já se manifestaram contra a proposta os deputados federais Alfredo Nascimento (PR), Hissa Abrahão (PDT), Sabino Castelo Branco (PTB) e Silas Câmara (PRB).

Segundo o Estadão, não foram localizados para opinarem os parlamentares Arthur Bisneto (PSDB), Átila Lins (PSD) e Conceição Sampaio (PP). Entre os deputados federais do Amazonas, apenas Pauderney Avelino (DEM) é a favor da reforma da Previdência apresentada pelo governo federal.

Procurado pela reportagem do DIÁRIO, o deputado Arthur Bisneto afirmou que só irá comentar o assunto quando a proposta estiver clara. “Antes de opinar eu preciso ter um texto claro até porque eu não tenho medo de votar no que é antipático, a gente tem que pensar no Brasil. Eu não sou miss simpatia, se eu tiver que votar em algo antipático, mas que seja bom para o Brasil, eu vou votar, mas eu quero um texto claro. O texto que veio do governo (federal) é péssimo, não dá. Tem que chegar a um meio termo se for para pensar em votar, portanto, eu só vou opinar quando eu tiver uma certeza bem clara do que está sendo proposto”, disse.

Para Bisneto, a reforma não pode onerar o contribuinte. “Tem que ser uma reforma, se houver reforma, que não onere demais o contribuinte e que não prejudique o pensionista, então, se não tiver um meio termo, eu duvido que passe na Câmara dos Deputados. Está tudo aberto, então, enquanto estiver aberto, eu não vou opinar”, afirmou.

De acordo com o deputado Hissa Abrahão, o presidente Michel Temer que se aposentou com 55 anos não tem moral para propor uma reforma da Previdência em que as pessoas se aposentem aos 69 anos com aposentadoria integral. “Ele deveria acima de tudo renunciar a aposentadoria dele para poder ter autoridade moral para propor algo desta natureza. Outra questão é a diversidade regional, existem trabalhadores que trabalham no sol, os ribeirinhos, por exemplo, e outros que trabalham na zona rural que a expectativa de vida é menor que os trabalhadores de áreas urbanas, aí tem que se diferenciar a aposentaria de acordo com a atividade que estas pessoas exercem e, de acordo com as diferenças regionais”, disse o parlamentar.

Para o deputado Pauderney Avelino, a reforma é necessária para evitar um desastre na Previdência. “Não adianta querer passar uma ideia de que não é necessário fazer uma reforma da Previdência. Não apenas há necessidade, como há também exemplos de outros países que não fizeram a reforma e estão encalacrados. É óbvio que precisam fazer a nossa reforma, nós não temos idade mínima no Brasil, talvez o único país do mundo que não tenha idade mínima de aposentadoria”, disse.

Pauderney defende que haja mudanças na proposta do governo federal em relação ao período de transição.

 

Vamos esperar o dia da votação, diz Temer sobre o Placar da Previdência

O presidente Michel Temer afirmou, na saída de almoço no Itamaraty, que a decisão de autorizar a flexibilização do texto da reforma da Previdência não pode ser considerada um recuo. “Autorizei Arthur Maia a fazer as negociações que fossem necessárias e ao final nós anunciaremos, junto com o Congresso, o que for ajustado. Vai levar alguns dias, mas já está autorizado”, disse.

Ao ser indagado sobre o recuo do governo no texto, o presidente disse que era preciso “aprender” que ceder ao Congresso Nacional não é recuar. “Prestar obediência ao que o Congresso nacional sugere – o Congresso que é o centro das aspirações populares – não pode ser considerado um recuo. Nós estamos trabalhando conjuntamente”, afirmou.

Questionado se as mudanças não podem comprometer o projeto, Temer ponderou que essas flexibilizações ainda serão avaliadas para garantir que a reforma alcance o equilíbrio fiscal almejado. “Vamos avaliar as mudanças para ver se têm alguma repercussão de natureza fiscal. Aparentemente não. Mas são estudos que precisamos fazer”, disse.

Ao ser questionado sobre a constatação do Placar da Previdência, que mostra a dificuldade de o governo em aprovar a reforma da Previdência, o presidente Michel Temer afirmou, na saída de almoço no Itamaraty, que é preciso aguardar. “Vamos esperar o dia da votação”, limitou-se a dizer.

A atualização do Placar da Previdência, levantamento realizado pelo Grupo Estado com deputados a respeito de reforma que tramita na Câmara, mostra que o número de parlamentares contrários à proposta é de 256, enquanto 94 são a favor. Às 15h03, havia 35 indecisos; 56 não quiseram responder; 71 não foram encontrados e um disse que deve se abster.