Candidatos ao Governo criticam pagamento de R$ 7,5 milhões a sogro do deputado Abdala Fraxe

Governo pagou R$ 7,5 milhões a sogros do candidato a vice-governador do Estado e presidente da Assembleia Legislativa, Abdala Fraxe (PTN), por desapropriação de área em Manaus

Abdala Fraxe não quis comentar o pagamento aos sogros (Foto: Hudson Fonseca/ALE)

Manaus – Candidatos a governador na eleição suplementar do Amazonas defenderam que os órgãos de controle investiguem o pagamento de R$ 7,5 milhões realizados pelo governo estadual aos sogros do candidato a vice-governador da coligação ‘Coragem para Renovar’, deputado estadual Abdala Fraxe (Podemos), presidente da Assembleia Legislativa do Estado. A coligação, que tem como candidata a governadora Rebecca Garcia (PP), é apoiada pelo governador interino do Amazonas David Almeida (PSD).

O candidato da coligação ‘O Começo de uma Grande Mudança’, deputado estadual Luiz Castro (Rede), afirmou que um dos caminhos a serem tomados pelo presidente da Assembleia era se afastar do cargo enquanto disputa a eleição e não usar o poder para beneficio próprio. “É um constrangimento ver que não há transparência no governo. Existe uma lei que estabelece que não pode haver quebra de cronograma dos pagamentos de empenho, mas há no governo uma preferência pessoal”, disse.

Para o candidato do PT, deputado José Ricardo, esse é um fato que se repete durante anos no Amazonas. De acordo com ele, é quase um fato cultural beneficiar parentes e amigos. “No Amazonas os amigos e parentes de governantes têm mais facilidade em suas demandas. O Estado pode fazer desapropriações, mas é preciso seguir a impessoalidade. Não se pode fazer para amigos, conhecidos, dar facilidade por proximidade”, enfatizou.

José Ricardo afirmou que o deputado David Almeida está fazendo algumas medidas necessárias no Estado, porém, ele lembrou que na Assembleia Almeida impediu a abertura de CPI para apurar irregularidades nas obras do governo e, para a saúde onde, de acordo com ele, poderiam descobrir até novos fatos e outras operações ‘Maus Caminhos’ no âmbito do Estado. “O que nos chama atenção é o favorecimento de pessoas ligadas ao governo. É preciso analisar tudo”, comentou.

Para o candidato da coligação ‘Coragem e Atitude para Mudar o Amazonas’, o vereador Marcelo Serafim (PSB), todos os pagamentos do Estado deve ser tratados com a maior responsabilidade. “É fundamental que o governador deixe tudo muito bem explicado porque pagamentos como estes devem obedecer a uma fila e uma série de regras. O que não pode acontecer, neste momento, é nenhum tipo de ação do Estado que desequilibre o processo eleitoral. O que queremos é igualdade de condições em todas as campanhas. Qualquer coisa que fuja desta igualdade, é algo que deve ser combatido”, afirmou.

A candidata pelo PPS, a jornalista Liliane Araújo, defendeu que os pagamentos sejam investigados pelos órgãos de controle e fiscalização. “Eu acho que isto tem que ser investigado, sim. O Ministério Público tem que pedir esta investigação e que a justiça seja feita, porque o governador interino, autorizando pagamento para o vice da chapa que ele apóia, é algo estranho”, disse.

De acordo com o candidato pelo PHS, Wilker Barreto, os órgãos de controle já estão atentos a este tipo de pagamento. “Eu acho que os órgãos de controle estão atentos a tudo, não só a este pagamento, mas a todos. Afinal, estamos em período eleitoral”, disse.

Deputados questionam a falta de transparência no Estado

Deputados da Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM) questionaram, ontem, a falta de transparência em ações do governo de David Almeida (PSD) e do presidente da Casa, deputado Abdala Fraxe (Podemos), após o Estado pagar R$ 7,5 milhões de uma desapropriação de terra de R$ 10,5 milhões aos sogros de Abdala, a menos de dois meses da eleição suplementar no Amazonas.

A deputada Alessandra Campelo (PMDB) afirmou que vai se aprofundar no processo que concedeu os valores aos sogros de Abdala e tomar providências, se necessário.

“Eu vou pedir cópia do processo da secretaria de proteção fundiária. É um processo antigo, mas que só foi pago agora que o deputado David Almeida assumiu como governador interino”, comentou.

Para a parlamentar o fato deve ser esclarecido e, segundo ela, se houver erros eles devem ser reparados para não trazer prejuízos à população. “Se houver irregularidades, tanto a Assembleia quanto o Ministério Público podem tomar atitudes e apurar melhor. Vou buscar o processo para saber os critérios de avaliação e o preço do terreno, para tomar as providencias”, afirmou.

O deputado Serafim Correa (PSB) defendeu uma investigação apurada feitas pelos órgãos de controle para que, de acordo com ele, o fato fique esclarecido. “Eu acho que tudo deve ser esclarecido e é importante que os órgãos de controle apurem o fato. Eu não conheço o processo a fundo e não vou acusar e nem defender ninguém, mas o Ministério Público e o Tribunal de Contas devem apurar e se manifestar ao final. Se houver algo de errado, quem praticou o erro deve ser responsabilizado”, ponderou.

Ao ser questionado, Abdala Fraxe não quis comentar o fato.