Candidatos criticam a situação do Estado

Eduardo Braga afirmou que vai romper contratos com as empresas Umanizzare Gestão Prisional e Salvare. De acordo com ele, o Amazonas mais perdeu do que ganhou com essas empresas

Asafe Augusto e Álisson Castro/redacao@diarioam.com.br

Atendimento precário à população preocupa maioria dos candidatos. Foto: Eraldo Lopes

Manaus – A maioria dos candidatos ao governo do Estado na eleição suplementar de agosto criticam a gestão do Estado dos últimos três anos, durante o governo de José Melo (PROS) e avaliam como péssimos os rumos do Estado durante a gestão do governador cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por compra de votos.

O  senador Eduardo Braga (PMDB) afirmou, após anunciar a oficialização da chapa PMDB e PR, se lançando como candidato ao governo que vai trabalhar com austeridade e romper contratos com as empresas Umanizzare Gestão Prisional e Salvare Serviços Médicos Ltda. De acordo com o candidato, o Amazonas mais perdeu do que ganhou com essas empresas.

A Salvare é uma das empresas beneficiadas pelo Instituto Novos Caminhos (INC) que pertence ao empresário Mohamed Moustafa, apontado pela Policia Federal, na operação Maus Caminhos, como o líder de um esquema criminoso que desviou mais de R$ 110 milhões do Fundo Estadual de Saúde do Amazonas.

A Umanizzare foi a protagonista no início deste ano após o massacre ocorrido no complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj). Nos últimos quatro anos a empresa recebeu do governo Melo R$ 653,2 milhões para prestar o serviço de gerenciamento dos presídios do Estado.

“Acabou a era da Umanizzare e Salvare no Estado do Amazonas. Vamos começar um novo tempo de austeridade e de realizações efetivas para o povo”, disse.

Braga ressaltou que, quando foi governador, a receita do Estado era de R$ 8 bilhões por ano, e que, neste ano, a receita do Estado está acima dos R$ 15 bilhões. Para o candidato, o governo vem fazendo muito menos com os recursos que tem. “É a falta de austeridade, gestão, transparência e eficiência. Assim que vamos vencer a crise”, disse Braga, ao ressaltar que, até o momento, o ex-governador não explicou para onde foi o dinheiro usado na Umanizzare.

O candidato disse que conhece o interior do Estado e vai usar isso para melhorar a vida das pessoas. “O maior adversário desta eleição é a crise, principalmente, na área da Saúde. Falta esparadrapo, remédios, tem máquinas quebradas, filas enormes para consultas, exames e cirurgias. A Saúde no interior é um desespero. O Amazonas está na UTI”, afirmou.

Braga ressaltou que na segurança, o Estado está piorando dia a dia. “Faremos um plano emergencial nos pontos mais importantes como saúde, segurança, para a geração de emprego e renda, para a melhoria de infraestrutura de produção, e um plano para a área social. Com esses planos vamos tirar o Amazonas da UTI”, ressaltou, ao destacar que vai aliar a experiência dele com a juventude de Marcelo Ramos.

O candidato do PDT, ex-governador Amazonino Mendes disse que a gestão de Melo deixou o Amazonas na beira de um abismo. “Nós temos hoje um Estado muito distante daquele que eu larguei em 2002. Hoje o Amazonas está à beira da falência, deficitário, sequer sabemos se vai pagar a folha deste segundo semestre de forma correta. O Estado está quebrado, quebraram o Estado”, disse.

Durante convenção do PSDB na tarde da última sexta-feira, 16, Amazonino afirmou que pretende consertar o Estado durante o mandato ‘tampão’ no governo. “O Amazonas está à beira do abismo e pede que o filho venha lhe socorrer. Não sou melhor do que ninguém, mas posso ajudar o Estado. Eu não quero ser governador, quero é consertar o Estado”, afirmou Amazonino

Para a candidata Rebecca Garcia (PP), o mais importante é priorizar áreas específicas durante o governo de 15 meses. “Nós sabemos que as dificuldades do nosso Estado são grandes, mas estes problemas estão sendo minados aos poucos. Temos que elaborar um plano emergencial onde tudo que é emergente deve ser tratado  de maneira emergencial como a saúde, segurança que nós sabemos que está sendo trabalhada durante a gestão do (governador) David Almeida (PSD) e que precisa ser enfrentada. Outro trabalho que deve ser feita e que se deu início durante a minha gestão em frente à Suframa que é atrair investimentos, porque temos o problema do desemprego. A gente só vai resolver o problema da segurança, porque a falta de oportunidade leva as pessoas à marginalidade”, afirmou.

Durante a convenção do PSB, o candidato do partido, vereador Marcelo Serafim, criticou os problemas na saúde, educação e segurança no Amazonas. “Nós vemos muito pacientes do interior do Estado vir para Manaus porque a saúde nos municípios está totalmente abandonada. Estamos acostumados a ver uma educação totalmente desestruturada e os jovens do interior totalmente abandonados, sendo obrigado a migrar para a cidade de Manaus. Deixar seus filhos, seus pais e suas famílias para buscar a esperança na capital. Estamos acostumado com um Estado que vence até o Estado Islâmico, aqui no Amazonas temos mais gente degolada do que em todo o Estado Islâmico pela incompetência destas pessoas que estão aí e que deixaram que o tráfico de drogas mande no nosso Estado”, disse.

Para a candidata Liliane Araújo (PPS), a prioridade é arrumar o Estado e administrar bem as finanças do governo. “Eu, como jornalista, passei dez anos mostrando os problemas do Estado que, até hoje, nós estamos passando, seja na segurança, seja na saúde, seja na educação. Não importa o segmento, o que  a gente vive hoje. Está na hora de dá um basta nisto tudo, já chega da gente ficar acreditando em falsas promessas”, afirmou.

De acordo com o vereador Wilker Barreto, candidato ao governo pelo PHS, o Estado precisa olhar mais para o interior. “Temos propostas sólidas, concretas, focadas na  geração de emprego e renda que melhore a nossa economia, é uma vergonha que hoje um Estado, teoricamente, rico e próspero como o nosso compre boa parte de produtos da cadeia alimentar fora do Estado. O problema é que o dinheiro fica lá fora. O interior está abandonado, a cadeia produtiva não existe mais”, afirmou.