David Almeida diz que recebeu ‘convite ridículo’ para renunciar e ser vice de Amazonino

Após a declaração, David afirmou que não pretende se indispor com ninguém. “Eu não vou brigar com ninguém, nem me indispor, nem fazer inimigos, porque eu não tenho inimigos na política", disse.

Álisson Castro/ redacao@diarioam.com.br

Questionado se pretende concorrer na eleição suplementar, David disse que tem vontade, mas que o partido a qual é filiado, o PSD, não lhe concederá a sigla para a disputa (Foto: Eraldo Lopes)

Manaus – O governador interino do Amazonas David Almeida (PSD) afirmou, nesta quarta-feira, que não deixará o cargo para ser candidato a vice-governador de ninguém na eleição suplementar no Estado, que será realizada em 6 de agosto. “Eu recebi ontem um convite ridículo para eu renunciar para ser vice do (ex-governador) Amazonino (Mendes). Eu dei umas três gargalhadas. O que eu disse? ‘Então quer dizer que eu vou ter que renunciar para ser o vice do Amazonino, que está no fim da fila e vocês colocaram ele aqui no meu lugar, aí eu vou ser o vice. Usar o meu prestígio, a estrutura do Estado para eleger o cara pelo qual fui preterido?’. Então, eu tive que ter uma atitude: eu disse não para ser vice e não para apoiar o Amazonino”, afirmou.

Após a declaração, David afirmou que não pretende se indispor com ninguém. “Eu não vou brigar com  ninguém, nem me indispor, nem fazer inimigos, porque eu não tenho inimigos na política. O que eu construí foi uma forma clara, limpa e sincera de respeitar os outros , tendo divergências no campo das ideias e das opiniões, nunca no campo pessoal”, afirmou.

Questionado se pretende concorrer na eleição suplementar, David disse que tem vontade, mas que o partido a qual é filiado, o PSD, não lhe concederá a sigla para a disputa.

“Eu tenho vontade, mas o partido não está sob meu comando,  inclusive quero dizer logo aqui que não vou brigar com o (senador) Omar (Aziz),  não vou brigar com o partido e não tenho nenhuma vontade ou desejo de confronto, mas eu tomei uma decisão. Eu tenho desejo sim, de disputar. Se encontrarem em mim condições necessárias, eu aceito, mas não depende de mim (…) Eu reconheço as qualidades do Amazonino, ele foi o maior criador dos demais governadores que vieram após ele, só que eu me dou o direito de não apoiar nem o criador e nem a criatura, eu tenho  direito. Esta é a decisão que eu tomei ontem. Vamos ser sinceros: não vão me dar o partido para disputar”, afirmou.

David afirmou que está bravo com a decisão do partido em não apoiar uma possível candidatura dele na eleição suplementar. “Em relação à questão política: o pessoal pensa que eu vou ficar com raiva se não disputar? Vou nada, eu estou é tranquilo. Durmo bem, acordo bem. Eu cheguei a governador sem dar pernada em ninguém, sem enganar ninguém, sem fazer acordo com ninguém”, disse.

 

Convenções

Os partidos políticos tem até amanhã, sexta-feira para realizar convenções e decidir quem serão os candidatos que devem disputar a eleição suplementar e ainda  definir as coligações para o pleito. A maior parte das legendas marcou as convenções para esta sexta-feira, 16.

O professor de Direito Eleitoral Leland Barroso afirmou que a legislação eleitoral determina que todas as decisões sobre candidaturas ou coligações devem ser tomadas nas convenções, reunião em que os filiados dos partidos definem os caminhos do partido.

“No Brasil não pode haver candidatos avulsos, todos os candidatos devem ser filiados a algum partido político. Ser filiado é condição de elegibilidade. Ser escolhido em convenção é outra condição de elegibilidade, só pode se candidatar a pessoa que foi aprovada em uma votação dentro do partido, isto que é a convenção, uma reunião em que os filiados dos partidos votam e elegem quem será lançado candidato”, afirmou Barroso.

 

Governador anuncia plano para economizar mais R$ 315 milhões

O governador interino David Almeida (PSD) informou  que pretende fazer ajustes no orçamento do Estado para economizar R$ 315 milhões para serem investidos em infraestrutura e na área de saúde na capital e em diversas cidades do interior do Estado. De acordo com David, os ajustes são necessários, devido à queda de arrecadação do governo em comparação com o ano anterior.

“Na saúde, estamos redirecionando alguns contratos, diminuindo outros e vamos conversar com os fornecedores para diminuir alguns valores. Na saúde chegamos a uma economia por ano, sem falta com o atendimento, de R$ 202 milhões. Na educação, a economia será de 101 milhões, na Casa Militar, R$ 12 milhões. Tenho que fazer isto porque eu tenho que passar o Estado e temos a garantia de que temos que cumprir e honrar os compromissos com os fornecedores”, afirmou.

De acordo com o governador interino, o Estado irá rever o contrato de aluguel de aeronaves que irá economizar R$ 12 milhões por ano. “Isto quer dizer que teremos disponível este recurso em ações que beneficiem a população. Ainda segundo David, será revisto o contrato com a empresa Umanizzare. “Inclusive, eu já pedi que, na semana que vem, venha aqui o representante da Umanizzare e vamos discutir ponto a ponto o contrato desta empresa com o Estado”, afirmou.