Deputados indicam o ‘óbvio’ no relatório de segurança feito por empresa dos EUA

Parlamentares criticaram as conclusões de Rudolph Giuliani, contratado sem licitação pelo Estado para dar consultoria de segurança, pelas conclusões que todos já sabem

Asafe Augusto

Manaus – Deputados afirmaram, nesta quinta-feira (28), na Assembleia Legislativa do Estado (ALE), que a entrega do relatório feito pela empresa Giuliani Security & Safety (GSS), do ex-prefeito de Nova Iorque, Rudolph Giuliani, ao governador Amazonino Mendes (PDT) foi um ato midiático que revelou o óbvio. O contrato de R$ 5,6 milhões firmado entre o Estado e a empresa está sob investigação do Ministério Público do Amazonas (MP-AM).

A contratação de consultoria foi atacada pelos deputados pelas conclusões e propostas de conhecimento de especialistas locais em segurança. (Foto: Sandro Pereira)

Conforme o deputado Luiz Castro (REDE), a única novidade apresentada, na quarta-feira (27), por Giuliani e sua equipe, foi o combate à corrupção. “A apresentação foi midiática e a única novidade foi ele ter mencionado a corrupção. O interessante é que, talvez, por desconhecer as leis brasileiras, ele observe que não cumpriu um dos requisitos da lei de transparência, que é promover o pagamento de uma parcela sem ter realizado o trabalho. Ele falha ao falar do combate à corrupção”, afirmou.

Para o deputado, as questões destacadas por Giuliani são muito “óbvias” para toda a população. E, na visão dele, o importante agora não é dizer o que fazer, mas como fazer. “A preocupação é que o período que esse governo ainda vai ficar é muito curto e estamos às portas de um processo eleitoral. Não vai ser possível o governo promover nenhuma mudança profunda. Ele nem conseguiu resolver a questão da data-base dos policiais. É midiático e o governo vem custando alto para o povo do Amazonas”, pontuou.

Já o deputado José Ricardo (PT) afirmou que no Brasil, já existem instituições que fazem estudos e diagnósticos todos os anos e que são de conhecimento público. Ele citou os exemplos como Atlas da Violência, do Instituto de Pesquisa Econômico Aplicada (Ipea) e o Mapa da Violência, do Ministério da Justiça.

“Qual a novidade?”, questionou. Segundo o deputado, o governador deveria olhar para a estrutura policial que tem no Estado, a qual ele classificou como precária. “Já temos instituições no País que fazem análises e indicadores da violência. Enquanto deputado, fiscalizo instituições públicas estaduais, tanto na capital quanto nos municípios do interior, que inclui as delegacias e postos policiais. E sempre denuncio a precária situação das delegacias e das condições de trabalho dos policiais civis e militares. Isso não é novidade para ninguém. Agora, fazer análise de fronteiras e ter acesso a estratégias sigilosas que envolvem as forças militares, é ter mesmo informações privilegiadas”, pontuou.

Durante a entrega do relatório, Giuliani sugeriu a criação de um banco de DNA, o que, conforme o deputado também não é nenhuma novidade e afirmou que essa necessidade é um antigo pleito dos peritos da polícia técnica científica, que foi até externado em audiência na Assembleia Legislativa. “Sabemos que hoje a Polícia Civil não utiliza dessa tecnologia. É uma necessidade antiga”, concluiu.

Giuliani também afirmou que a diminuição na criminalidade depende do combate ao tráfico de drogas na fronteira. Diante desta afirmação, o deputado Serafim Corrêa (PSB) declarou que Amazonino fez um contrato milionário para ouvir o que já se sabe.

“O governador gasta R$ 5,6 milhões para que o Rudolph Giuliani diga aquilo que já sabemos, convenhamos, é desperdício de recurso público. Eu continuo entendendo que essa contratação teve apenas um objetivo: marketing eleitoral. Eu diria até que o objetivo é marketing eleitoreiro”, avaliou.

Serafim concluiu dizendo que “Todos nós já sabemos disso. Isso foi cantado em prosa e verso pelo ex-secretário de Segurança, Sérgio Fontes, que com muita competência conseguiu aumentar o nível de apreensão de drogas na cidade de Manaus. Isso também foi demonstrado para nós, e com riqueza de detalhes, pelo general Theophilo (Guilherme), quando esteve à frente do Comando Militar da Amazônia”, declarou.