Hanan, agora, diz que Cigás não vai à venda

Legislação para a primeira venda de ações da Companhia de Gás do Amazonas foi aprovada no governo anterior de Amazonino Mendes, quando seu sócio, Samuel Hanan, foi vice-governador

Álisson Castro / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Após ser responsável pela aprovação da lei que levou à venda de 73% da Companhia de Gás do Amazonas (Cigás) em 2001, a gestão do governador do Amazonas, Amazonino Mendes informou, ontem, que não vai mais vender o que sobrou das ações do Estado na companhia. A informação foi dada, em entrevista à rádio CBN Amazônia, pelo presidente do Conselho de Administração da Cigás e sócio de Amazonino, Samuel Hanan.

A informação foi dada, em entrevista à rádio CBN Amazônia. (Foto: Sandro Pereira)

Atualmente, 73% das ações da Cigás que dão direito a dividendos estão com a iniciativa privada. Só 17% estão nas mãos do Estado, que tem mais da metade das ações que dão direito ao comando das decisões. A primeira venda da empresa foi autorizada pela Lei Estadual 3.690/2001. Em 2011, outra Lei autorizou a venda do restante das ações do Estado, para o dinheiro ser investido na construção da Cidade Universitária da UEA, em Iranduba (AM).

“Dentro do processo de dinamização (da Cigás), temos que esclarecer uma boataria de que a Cigás será vendida. Isto não existe. No governo Amazonino Mendes, não tem nenhum projeto de venda da Cigás. (…) O que nós, do governo Amazonino, gostaríamos e vamos trabalhar para fazer (…) é recomprar a Cigás, um pedaço da Cigás (…) além do Estado, investidores e empresários privados do Amazonas, nós queremos que amazonenses participem, comprando um pedaço da Cigás ou comprando grande parte da Cigás, porque a companhia será a grande fonte de investimento de progresso do Estado. Uma coisa é certa: não será vendida pelo governo Amazonino Mendes. Não existe esta possibilidade”, afirmou.

Hanan é sócio do governador Amazonino Mendes na SMD Consultoria Ambiental e Empresarial Ltda., com capital social de R$ 400 mil, segundo documento da Junta Comercial de São Paulo (Jucesp). Também são sócios da empresa Marcelo Falcone Hanan e Daniel Falcone Hanan.Ao final da entrevista, Hanan afirmou que irá propor ao governador a revogação da lei que autorizou o poder Executivo a privatizar a Companhia de Gás do Amazonas (Cigás).

‘Não dá para confiar’

O deputado estadual Serafim Corrêa afirmou não acreditar na promessa de que Amazonino não irá privatizar a Cigás. “Não dá para confiar. Não é a primeira vez que ele promete uma coisa e faz outra. Tenho todo respeito pelas pessoas, mas não confio neste governo, porque ele diz uma coisa e faz outra. Então, eu não tenho confiança. Tenho respeito, mas não confio, não sei o que vão fazer”, afirmou.

O deputado estadual Platiny Soares (PSL) disse preferir esperar uma mensagem do governador propondo a revogação de lei que autoriza a privatização da companhia. “Eu acredito que, na vida pública, não se deve estabelecer suposições. Se esta afirmação é categórica, a Assembleia deve, desde já, aguardar que o governo envie uma mensagem revogando a autorização para privatizar a Cigás, que é algo que precisa ser discutido. Esta movimentação dentro da Cigás gera muita suspeição e não trabalhamos com suposições”, disse.