Meirelles agora descarta lançar candidatura a vice-presidência

“Tomo decisões na hora certa”, disse ele para a rádio Gaúcha, sobre as eleições de 2018. Para a revista Veja, o ministro disse “ser presidenciável”

Estadão Conteúdo / redacao@diarioam.com.br

Brasília – O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou, nesta sexta-feira (3), em entrevista à Rádio Gaúcha que não é pré-candidato à presidência da República. “Tomo decisões na hora certa”, disse ele ao ser perguntado sobre seus planos para as eleições de 2018. O ministro, porém, descartou a possibilidade de concorrer como vice-presidente. Na quinta-feira, em entrevista à revista Veja, ao ser questionado se tinha consciência de que é um presidenciável, respondeu positivamente: “Sim, sou presidenciável”.

Ministro Henrique Meirelles é nome cogitado para as eleições de 2018 (Foto: Marcelo Camargo/AE)

Na entrevista desta sexta-feira, negou sobre a possibilidade de ser o vice: “Não serei candidato a vice-presidente em nenhuma hipótese”, afirmou o ministro. Sobre uma eventual candidatura em 2018, Meirelles ressaltou que o prazo legal para quem ocupa cargo no governo se descompatibilizar da função é 31 de março de 2018. “Este é o tempo de decisão para todos os ministros”, disse ele.

Meirelles reiterou na entrevista que sua “atenção, foco e determinação”, neste momento é o Ministério da Fazenda e trabalhar para que a economia se recupere. “Eu tenho consciência que existe espaço importante na política brasileira, para quem defende as reformas e a modernização”, disse ele, ressaltando que muitas pessoas têm a expectativa de um candidato à presidência que tenha essa experiência.

“Não tomo decisões por antecipação, como tem sido prática na minha carreira”, disse ele ao ser perguntado sobre qual seria sua decisão quando chegar o prazo para a descompatibilização. “A decisão tem que ser tomada na hora certa. Minha decisão no momento é ser um bom ministro da Fazenda”, disse.

O ministro ressaltou que é prematuro agora falar sobre uma decisão que deve ser tomada em março que afirmou que “não gasta tempo pensando em possibilidades”. Decisão por antecipação, afirmou ele, geralmente acaba sendo uma perda de tempo.

Para a revista Veja, ele disse que ainda falta definição. “As pessoas falam comigo, me procuram, mas ninguém me cobra uma definição. No mundo político, por exemplo, dizem o seguinte: o senhor tem o meu apoio, estou torcendo para isso. Tenho por característica pessoal ser bem pé no chão. Dificilmente vou fazer alguma coisa baseado no entusiasmo”, afirmou o ministro à revista.

Ontem, Meirelles ressaltou que, em março, se o Brasil estiver crescendo e gerando emprego, ele estará cumprindo sua missão. “O que me importa são pessoas sendo impactadas pela recuperação da economia”, disse.

Na segunda-feira, Meirelles também deu sinais dúbios sobre seu futuro político. Durante um evento em São Paulo, primeiro disse que considerava interessante a possibilidade de ser candidato a vice-presidente da República. Depois da repercussão, ele disse que fizera uma “mera brincadeira” e negou ter interesse em concorrer ao cargo caso seja convidado para compor uma chapa em 2018.

À revista, ele lembrou que foi convidado a ser vice pelo tucano Aécio Neves (MG), em 2014, e pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2010, para a chapa de Dilma Rousseff. Em ambos os casos, rejeitou. Meirelles disse ainda que ficou sabendo pelos jornais dos crimes de corrupção confessados pelos irmãos Joesley e Wesley Batista: “Foi uma surpresa. Eles não me contavam isso”.

Governo deve garantir segurança sobre dívida pública, diz ministro

Meirelles disse que o governo precisa garantir “que não haja insegurança sobre o futuro da dívida pública e de que a Previdência e o governo federal não vão quebrar”. Ele ressaltou que a partir do momento que os agentes passam a confiar que estes fatos não vão ocorrer, a inflação se reduz, os juros caem, empregos voltam a ser criados e o país volta a crescer.

“Não adianta prometermos miragens e gerarmos insegurança, o País entrar em crise e o desemprego voltar”, disse ele, ressaltando que a taxa de desemprego ainda está alta no Brasil, mas já vem caindo e é importante que esta trajetória prossiga.

Perguntado se o governo planeja elevar impostos até o final de 2018, Meirelles ressaltou que existem projetos na Câmara para isonomia de tributos, mas o governo não está “criando novos impostos e nem aumentando alíquotas de forma generalizada”.

O ministro citou alguns exemplos para mostrar como será esta isonomia tributária. Ele citou o caso de fundos de investimento e ressaltou que hoje qualquer pessoa que fizer uma aplicação em um fundo tem uma determinada tributação. Já uma pessoa de maior recurso, que tem direito a fundo especial ou exclusivo, possui uma série de vantagens e paga imposto menor.

“Este fundo exclusivo de maior renda passa a ter a mesma estrutura de tributação de outros fundos”, disse ao falar da proposta do governo. “Estamos fazendo este tipo de ajuste. Estamos fazendo o acerto de algumas desigualdades do sistema.”