Ministério Público apura tentativa de extorsão no município de Coari

Segundo depoimento concedido ao MP, um emissário do prefeito Adail Filho ofereceu R$ 1 milhão para promotor de Justiça estancar ações contra a administração municipal

Álisson Castro

Manaus – O membro do Conselho de Cidadãos de Coari (Concico) Raione Cabral Queiroz prestou depoimento ao Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Amazonas (MP-AM), em 14 de maio, afirmando ter recebido proposta para intermediar oferecimento de dinheiro ao promotor de Justiça naquela cidade, Weslei Machado. A intenção era estancar ações que o promotor tem ingressado contra o atual prefeito de Coari, Adail Pinheiro Filho (PP).

As declarações resultaram em troca de acusações entre grupos políticos (Foto: Divulgação)

Segundo o depoimento, ao qual a REDE DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (RDC) teve acesso, Raione declara ter sido procurado pelo servidor público da Prefeitura de Coari, Joabe de Lima Rocha, que, segundo o denunciante, é a pessoa ligada ao ex-prefeito de Coari Adail Pinheiro. O membro do Concico afirma que Joabe o ofereceu R$ 1 milhão para Raione se aproximar do promotor para oferecer dinheiro para que Weslei cessasse as ações contra o prefeito de Coari, Adail Filho.

Joabe nega as acusações e afirma que processará Raione pelas declarações. O advogado do prefeito de Coari Adail Filho e do ex-prefeito Adail Pinheiro, Fabrício Parente, também nega os fatos e disse que foi Raione quem tentou extorquir o prefeito ao pedir dinheiro para cessar as denúncias contra Adail Filho. Parente também afirma que o promotor Weslei faz parte de uma organização que tenta desestabilizar a atual administração municipal em Coari e que já protocolou denúncias no Conselho Nacional do Ministério Público contra o representante ministerial.

Nas declarações feitas ao promotor de Justiça Igor Starling Peixoto, Raione disse ter se encontrado com Joabe em Manaus e que este afirmou saber que Raione estava por trás das denúncias que resultaram em ações judiciais ingressadas pelo promotor Weslei contra o prefeito Adail Filho. E, por acreditar ter proximidade com o promotor, Joabe teria feito a proposta.

Consta no termo de declaração: “Nas reuniões, o Joabe perguntou ao declarante (Raione) ‘o quanto achava necessário para estancar as denúncias. O declarante disse que não sabia, que quem deveria dar o preço seria Adail (Pinheiro), em razão da gravidade das denúncias. Que Joabe disse que havia conversado com o ‘Chefe’ e que os valores iniciais seriam de R$ 1 milhão para o declarante e o promotor de Justiça”.

O promotor de justiça Weslei Machado disse que tomou conhecimento dos fatos por meio de Raione e o recomendou que procurasse o Gaeco em Manaus para formalizar os fatos. “Como envolvia o prefeito e eu não tenho competência para investigar o prefeito, marquei uma audiência em Manaus para que ele fosse ouvido pelo Gaeco”, afirmou.

Weslei conta que não tem contato com Raione e que nenhuma denúncia apresentada pela promotoria teve origem de informações do membro do Concico. “Como o pessoal do prefeito já fez representações contra mim por causa da minha atuação, eu acredito que esta é mais uma tentativa de tirar a credibilidade do meu trabalho. Eu tenho sofrido intensa perseguição em Coari por causa da minha atuação. Como tem muita coisa errada acontecendo, eu tenho atuado muito duramente”, afirmou.