MP-AM investiga pai do vice de Wilson Lima por enriquecimento ilícito

Ex-procurador-geral do MPC Carlos Alberto Souza de Almeida e o ex-secretário de Estado Raul Zaidan estão sendo investigados pelo órgão

Álisson Castro

Manaus – O Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) instaurou um Inquérito Civil “a fim de apurar possíveis atos de improbidade administrativa, especialmente o de enriquecimento ilícito”, por parte do ex-procurador-geral do Ministério Público de Contas do Estado (MPC) Carlos Alberto Souza de Almeida e do ex-secretário de Estado Raul Zaidan. Carlos Alberto é pai de Carlos Alberto de Almeida Filho, candidato a vice-governador do Amazonas, na chapa de Wilson Lima (PSC).

Carlos Alberto Filho (à esquerda) negou as acusações contra o pai (Foto: Jimmy Geber)

A portaria de instauração do inquérito foi publicada no Diário Oficial do MP-AM e é assinada pelo promotor de Justiça Edgard Maia de Albuquerque Rocha.

De acordo com o Código Civil, o enriquecimento ilícito é caracterizado pelo acréscimo ao patrimônio pessoal em tão pouco tempo sem justa causa ou declaração a órgão competente.

O procurador Carlos Alberto chefiou o MPC por três mandatos. A primeiro gestão ocorreu entre 2010 a 2012, sendo reconduzido ao cargo para o biênio 2012-2014. O mais recente mandato do procurador iniciou em 2016 e encerrou em julho deste ano.

Procurado pela reportagem, o candidato a vice-governador Carlos Alberto de Almeida Filho afirmou que a denúncia é inconsistente e que o ex-procurador-geral de contas ingressará com denuncia contra o promotor que instaurou o inquérito. “Esta notícia não é nova, já saiu antes e o objetivo é macular nossa campanha. Quanto ao mérito, o documento sobre o qual baseia esta denúncia é um documento apócrifo, ou seja, sem autoria, feito em uma máquina de escrever sem qualquer documento comprobatório da afirmação absurda que tem nele. Conheço meu pai, ele sempre exerceu seu mandato com probidade, nunca, jamais, houve qualquer denúncia contra meu pai em seus três mandatos como procurador-geral e somente agora, quando eu sou candidato, aparece esta denúncia”, disse.

De acordo com Carlos Alberto, a legislação prevê que uma denúncia vazia e sem documento deve ser arquivada de imediato. “Meu pai tomará as providências disciplinares contra o promotor porque a abertura deste inquérito é absurdamente temerária”, afirmou.

Outra polêmica

Esta não é a primeira polêmica envolvendo a coligação ‘Transformação Por um Novo Amazonas’. Há duas semanas, a Coluna Radar, da Revista Veja, revelou o envolvimento de Wilson Lima, em 2012, com uma menor de idade, que o teria levado a registrar um Boletim de Ocorrência (BO), em 2014.

Em entrevista gravada ao site de notícias de Manaus Amazonas Atual, Ana Sara de Oliveira, hoje com 21 anos, disse se sentir ameaçada após a revelação, pela revista Veja, do registro do BO, em que Wilson Lima lhe atacava. Para se defender, deu uma entrevista ao site Amazonas Atual, confirmando o encontro sexual com Wilson Lima quando era menor de idade. Ela e a mãe, Leila Maria da Silva Oliveira, contaram que nunca houve jantar, como disse o candidato. Segundo ela, Wilson Lima a pegou em casa, em um bairro da zona leste de Manaus, e seguiu para um motel, na mesma região da cidade. Também disse que, depois do primeiro encontro, se encontrou outra vez com ele, e passou o dia em uma casa de um condomínio fechado que ele afirmou ser o seu local de residência. Sara disse que, para ela, Wilson Lima se apresentou como solteiro.

Em nota divulgada pela assessoria de Wilson Lima, o candidato nega todos os fatos. O jornalista Wilson Lima afirma ter encontrado a garota uma única vez. Após o encontro, segundo o candidato, a jovem passou a postar fotos de ambos nas redes sociais e a afirmar ser sua esposa. O jornalista registrou o Boletim de Ocorrência, após ela ter passado a enviar mensagens privadas para sua filha. “Essas mensagens integram as provas materiais da defesa de Wilson Lima, assim como depoimentos de familiares que foram assediados por Sarah à época. Todas as provas da inocência do candidato serão entregues à Justiça, sob sigilo, na próxima semana”, afirmou em nota.