Políticos reagem contra a desativação do aeroporto ‘Eduardinho’

Fechamento do terminal deve afetar o interior do Amazonas e parlamentares lideram as reações contra a medida da Infraero, que vai transferir as operações para o complexo principal

Álisson Castro/redacao@diarioam.com.br

Para os parlamentares, decisão de fechar o Eduardinho afetará o interior (Foto: Divulgação)

Manaus – O meio político liderou as reações contra o anúncio da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) de desativar, em agosto, o Terminal 2 do Aeroporto Eduardo Gomes, em Manaus, o ‘Eduardinho’, que atende, principalmente, voos destinados ao interior. Na sessão de ontem, a Assembleia Legislativa do Estado (ALE) debateu o assunto, que também será discutido em audiência pública no dia 10 na Câmara Municipal de Manaus (CMM).

A Infraero incluiu o aeroporto na lista de terminais a serem ser privatizados pelo governo federal até 2020.
O presidente da Associação Amazonense dos Municípios (AAM) João Medeiros Campelo criticou a decisão que deverá afetar o interior. “Isto é um absurdo com o Estado do Amazonas. Porque o ‘Eduardinho’ é o terminal que mais atende o interior do Estado. Eu não entendo como que nós estamos em pleno século 21 e as coisas, em vez de avançar, estão regredindo, isto que não dá para entender”, disse.

O deputado Wanderley Dallas (PMDB), que preside a Comissão de Transporte e Trânsito da ALE, disse que realizará uma sessão aberta para ouvir os funcionários do aeroporto e representantes da Infraero, mesmo no recesso. “Realizaremos a audiência pública durante o recesso parlamentar da ALE. O assunto é grave e merece ser discutido com urgência”, disse.

O deputado estadual Luiz Castro (REDE) também criticou a decisão da Infraero, que classificou como um “golpe”. “O primeiro contrassenso é que se gastou dinheiro do erário para reformar, ampliar e tornar o ‘Eduardinho’ um referencial muito positivo de transporte aéreo regional. Um segundo contrassenso é que o Amazonas precisa deste terminal, até para fomentar o turismo interno, que não é garantido pelo acesso das linhas aéreas, salvo alguns poucos municípios. Temos uma quantidade muito grande de municípios que estão sendo atendidas por empresas sediadas no ‘Eduardinho’. Isto é um golpe, não só pela aviação regional, pelas questões sociais, mas também é um golpe contra a possibilidade expandir mais o nosso turismo”, disse Castro.

O impacto da medida para o interior do Estado igualmente foi comentado pelo deputado estadual Adjuto Afonso (PDT), que deve acontecer até o dia 1º de agosto, conforme informação de permissionários das empresas aéreas que operam no terminal. O parlamentar informou que ingressará com requerimento na Mesa Diretora solicitando, em caráter de urgência, a presença de dirigentes da autarquia federal que administra o complexo.

“Esta Casa tem que urgentemente propor uma audiência pública ou uma reunião com a Infraero e mostrar o prejuízo que o fechamento desse terminal irá causar, principalmente à população do interior do Estado”, disse.

O parlamentar informou que estará apresentando um requerimento à Mesa Diretora solicitando a presença de representantes da Infraero, e conclamou os colegas deputados a acionarem a bancada do Amazonas no Congresso Nacional.

Para Infraero, transferência visa economia nas operações

Em nota, a Infraero confirmou a desativação do ‘Eduardinho’. Segundo a autarquia, a partir de agosto as operações do Terminal 2 do Aeroporto de Eduardo Gomes serão transferidas para o Terminal 1, tendo como objetivo a otimização do fluxo operacional e de passageiros do complexo aeroportuário. “A decisão foi fundamentada em estudos da Diretoria de Aeroportos da Infraero, com apoio das Diretorias de Operações e Segurança, que constataram que a alteração traria mais conforto para os atuais usuários do Terminal 2 devido à infraestrutura e serviços disponíveis no terminal 1, além de ganhos de eficiência operacional e econômica para as atividades do aeroporto. A partir da segunda quinzena deste mês, serão realizadas ações de comunicação no aeroporto para informar aos passageiros a alteração”, cita a nota.

Ainda segundo a Infraero, o Aeroporto de Manaus tem capacidade para absorver a transferência do fluxo operacional do Terminal 2. “O complexo inteiro tem capacidade operacional para receber 13,5 milhões de passageiros por ano, sendo que a capacidade do terminal 2 é de 2 milhões de passageiros por ano. Em 2016, o Eduardo Gomes recebeu 2,61 milhões de passageiros, contando embarques e desembarques”, diz o texto.

Em outro trecho afirma que “ a área comercial da Infraero estuda, ainda, alternativas para a utilização do espaço do terminal 2 para outras atividades”, finaliza a nota.