‘PSDB não pode viver de encantamento’

Perguntado sobre se há setor do PSDB encantado com o prefeito de São Pualo, João Doria, Arthur disse: “partido existe para ser pressionado e instigado. O partido não pode viver de encantamento”

Da Redação/redacao@diarioam.com.br

Manaus – Um dos fundadores do PSDB, o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, de 71 anos, que  se apresentou oficialmente, na última segunda-feira, 2, como pré-candidato do partido à Presidência da República em 2018, disse, em  entrevista ao jornal O Estado de São Paulo,  que, entre João Doria e Geraldo Alckmin, ele é o mais competitivo.

“O PSDB tem muitos rachas porque nunca fizemos prévias presidenciais. Tem gente que perde a indicação e depois não morre de entusiasmo em apoiar o escolhido. Não conseguimos falar uma linguagem que unifique o Brasil. Quem ganhar prévia sairá legitimado. Seria uma leviandade de último grau de quem perder ir para outro partido”, disse Arthur.

Arthur informou de sua pretensão de concorrer à Presidência em 2018 (Foto: Sandro Pereira)

O prefeito defendeu que as prévias do PSDB sejam realizadas em maio, “mais perto das convenções definitivas”. Para ele, se fossem em dezembro, “isso só ajudaria quem é favorito hoje”.

Perguntado sobre como avalia a força de João Doria no PSDB e se há um setor do partido encantado com ele, Arthur  disse: “partido existe para ser pressionado e instigado. O partido não pode viver de encantamento. Quem encanta mesmo é o flautista da serpente”.  Ele defendeu que todos os militantes do PSDB possam votar nas prévias. “O jogo precisa ser bastante aberto. Quero mostrar na campanha a insensibilidade de uma certa elite do País que não tem a menor noção do que é a realidade do Nordeste e muito menos do Amazonas. Olham a Amazônia com um certo preconceito. Ignorar a Amazônia é uma cafonice. As pessoas precisam entender que não basta chegar aqui e fazer uma reuniãozinha de empresários em um hotel à beira do rio”, disse.

Alckmin ou Doria?

Dos pré-candidatos às prévias do PSDB (ele próprio, Alckmin e Doria) Arthur de sonsidera o  mais competitivo. “Entre os dois, eu sinceramente estou acostumado a nadar contra a corrente. Nunca fui de me pendurar em máquinas”, afirmou.

Sobre o senador Aécio Neves, presidente licenciado do PSDB, Arthur disse que houve uma perda de densidade dele (Aécio) como dirigente. “Do ponto de vista jurídico, porém, não foi correta a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal de afastá-lo do cargo de senador) . Mas está na hora de trocar toda a direção do partido”, disse o prefeito.

Ao responder se o PSDB na Câmara deve votar a favor da admissibilidade da denúncia da PGR contra o presidente Michel Temer, ele disse: “É uma coisa complicada. Há uma certa esquizofrenia batendo em alguns: 73% são contra o governo do Temer, mas a solução está nas reformas. Se você tira o apoio formal, isso enfraquece demais o governo e impede as reformas. Já isso do PSDB sair ou não do governo virou uma questão irrelevante”.

Sobre o deputado Jair Bolsonaro dividir votos com o PSDB em 2018, disse: “Ele expressa o sentimento dos militares da reserva e de quem tem saudade da ditadura, que não voltará. Acho que a candidatura dele se esvaziará”.

O prefeito de Manaus disse que pretende viabilizar a sua campanha a presidente viajando pelo Brasil. “Estamos montando uma agenda com aquilo que caiba nos dias fora do expediente na Prefeitura.  Ou seja: fim de semana, feriado e depois do expediente”, disse.