‘Quero ser candidato do PSDB à Presidência’, diz Arthur Neto

Ex-deputado federal, ex-ministro do governo Fernando Henrique Cardoso e ex-senador, o prefeito de Manaus apresenta, pela primeira vez, sua intenção de entrar na disputa interna do partido

Da Redação / redacao@diarioam.com.br

Manaus – O prefeito de Manaus, Arthur Neto em entrevista à revista Veja, disse que quer ser o candidato do PSDB à presidência da República. Ex-deputado federal, ex-ministro do governo Fernando Henrique Cardoso e ex-senador, ele foi um dos líderes do partido na oposição ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entre 2003 e 2010. Depois de não entrar na disputa eleitoral pelo mandato-tampão no governo do Amazonas, em agosto, e apoiar o governador eleito, Amazonino Mendes (PDT), o prefeito apresenta, pela primeira vez, sua intenção de entrar na disputa interna, que vinha sendo polarizada pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e seu afilhado político, o prefeito da capital paulista, João Doria.

Arthur Neto vai se apresentar para as prévias “que estão lá para isso” (Foto: Sandro Pereira)

O prefeito disse que está em seu terceiro mandato como prefeito de uma cidade complexa como Manaus. Ele citou que o índice Firjan (da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) fez uma pesquisa extensa e concluiu que Manaus é a capital mais equilibrada do País no plano fiscal. E informou que esteve em Curitiba (PR) onde recebeu um prêmio por Manaus ser a quarta cidade e a capital com a melhor situação previdenciária.

“Quero me apresentar para as prévias do partido que nunca foram usadas nacionalmente e estão lá para isso. Quero a garantia de que vão me deixar concorrer. Vou debater com outros candidatos, quaisquer que sejam eles, certamente pessoas do meu prezar. Tenho muita expectativa, mais do que na movimentação interna, com a repercussão da disputa na militância e para fora das fronteiras do partido, na sociedade”, disse.

Sobre a candidatura do prefeito de São Paulo, João Doria, Arthur disse que acha que é um direito que ele tem. “Eu só não faria campanha agora, porque estaria, de certa forma, faltando ao compromisso com os meus governados de Manaus”, declarou.

O prefeito disse que o Brasil é um dos países “mais estupidamente fechados dentre aqueles que disputam protagonismo no cenário econômico internacional”, Defendeu que “a linguagem tem de ser clara, sem meio termo” e disse que é liberal. “Sou a favor de privatizar tudo, ponto. Sou a favor de um Estado que fiscalize o que foi privatizado, através de agências reguladoras independentes. Sou a favor da independência do Banco Central, isso será uma bandeira de campanha. Enquanto surpreendêssemos com a novidade e a ousadia, tenho certeza de que ganharíamos crescimento de pelo menos 0,5% ao ano durante cinco ou seis anos”, disse.

Arthur disse que para o PT a palavra “mercado” era um crime. “Tanto patriotismo em torno da Petrobras e fizeram o que fizeram. Depois do governo deles, chegou-se a sair de moda discutir se a Petrobras deveria ser privatizada ou não. Eu acho que deveria. Mas quem quer a Petrobras do jeito que eles entregaram? Serviria a quem comprar? Perdeu valor de mercado, está tendo dívidas graves cobradas na Justiça americana e vão vir notícias de condenações de bilhões de dólares e reais”.

Sobre a reforma da Previdência,ele disse que o Brasil não sobrevive sem ela, seguida de uma reforma tributária. “Tem muita gente que dribla de todos os jeitos seu medo de falar de reforma previdenciária. Temos que falar com dicção forte sobre todas as reformas. O Brasil precisa de um presidente que diga: “eu me elegi porque me tornei o mais popular, mas não hesitarei em me tornar o mais impopular”. Reforma da Previdência tira voto? Então comece tirando voto de mim, porque sou a favor”.

Arthur espera que o principal adversário do PSDB não seja o próprio PSDB, “que nem sempre tem se marcado por coesão e união”. “Não vejo mais disputa entre PT e PSDB. Considero a coisa mais atrasada do mundo os dois acharem, como se tivessem três anos de idade, que são o centro das atenções”, disse.

Oprefeito acredita que, se mantiver os direitos políticos, é natural que Lula seja candidato a presidente. “Ele está fazendo uma mobilização para criar um fato que seria a defesa prévia dele, que caracterizaria uma perseguição. Lula é um forte candidato a ir muito bem para o segundo turno, mas é um fortíssimo candidato a perder no segundo turno. Se ele é o candidato, respeito todos os meus colegas, companheiros de partido, mas em matéria de Lula eles todos são meus alunos, eu sou o doutor”.

Sobre a candidatura do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), ele vê com “chance zero”. “Considero a candidatura legítima. Como cidadão, pode se candidatar, assim como eu, mas não o vejo no segundo turno e não o vejo com 20%. Eu o vejo com uma coisa entre 8% e 10%, um grande registro de descontentamento com a política em geral e setores importantes da população buscando alternativas”.

Sobre se a decisão de ficar no governo e a votação da primeira denúncia contra Temer não racharam o PSDB, ele disse que não vê uma divisão consolidada. “Os problemas tinham que ser mais discutidos, mais apurados. As pessoas dizem: ‘eu sou contra o apoio ao governo do presidente Temer, mas sou a favor das reformas’. Vejo nisso uma contradição brutal. A melhor forma de se boicotar a reforma é enfraquecer quem a está promovendo”.

O prefeito chamou de “bizarro o episódio da mala entregue a Rodrigo Rocha Loures, ex-assessor de Temer. “Mas daí a você provar que a mala era dirigida a um presidente, que se quisesse delinquir não seria através do Rocha Loures, nem com aquela quantia… Não acho que tenha sido uma situação cômoda para o presidente, mas certas coisas precisam realmente ser comprovadas, porque se trata de trocar um presidente da República.

Ele também avaliou a atuação do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot. “Vejo que o doutor Janot tem errado a mão. Tenho muito respeito por ele, mas parece que os últimos acontecimentos não fortaleceram a posição dele. Se o episódio Rocha Loures é desagradabilíssimo, é difícil ele (Janot) explicar o episódio de se sentar em um botequim com um advogado de um criminoso como Joesley Batista, que ganhou férias em Nova York e não usou tornozeleira eletrônica por um dia sequer. Mas devemos muito a Janot e ao doutor Sergio Moro, porque, exageros à parte, sai um novo Brasil, em que todos, cada vez mais, serão considerados iguais perante a lei”.