Só um deputado federal do Amazonas diz como vota em ação contra Temer

Cabe à Câmara dar ou não aval com os votos de, no mínimo, 342 parlamentares para que STF possa aceitar denúncia e abrir ação penal.

Da Redação / redacao@diarioam.com.br

Maioria dos deputados federais deve apoiar presidente
A base governista deve declarar apoio ao presidente Temer (Foto: Agência Câmara)

Manaus – Com exceção de Sabino Castelo Branco (PTB), que declarou voto contra a aceitação da denúncia, a maioria dos deputados federais do Amazonas não se posicionou sobre o apoio ou não ao presidente da República, Michel Temer (PMDB), na votação da denúncia criminal apresentada pela Procuradoria Geral da República (PGR), em levantamento do jornal Folha de S. Paulo, publicado ontem.

De acordo com o levantamento, a base governista na Câmara evita declarar apoio ao presidente na votação da denúncia criminal apresentada pela PGR. A Folha procurou, na semana passada, todos os 513 deputados federais, após o Supremo Tribunal Federal (STF) receber, na segunda (26), a peça em que Temer é acusado de corrupção passiva – seria o destinatário de uma mala de R$ 500 mil de propina da JBS, além de promessa de outros R$ 38 milhões em vantagens indevidas.

Entre os oito deputados federais do Amazonas, Sabino Castelo Branco (PTB) disse que é contra a aceitação da denúncia; Alfredo Nascimento (PR) e Arthur Virgílio Bisneto (PSDB) disseram que não vão se posicionar; Pauderney Avelino (DEM) disse que não sabe; e Átila Lins (PSD), Conceição Sampaio (PP), Hissa Abrahão (PDT) e Silas Câmara (PRB) não responderam. Hissa é o único do Amazonas integrante da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), colegiado que vai emitir um parecer sobre a denúncia contra o presidente pelo crime de corrupção passiva.

Cabe à Câmara dos Deputados dar ou não aval, com os votos de no mínimo 342 parlamentares, para que o STF possa aceitar a denúncia e abrir a ação penal. Nessa hipótese, Temer seria afastado por até 180 dias para ser julgado.

Só 45 deputados responderam que votarão contra a aceitação da denúncia. Entre os apoiadores do presidente estão aliados fiéis como Carlos Marun (PMDB-MS) e Darcísio Perondi (PMDB-RS), vice-líderes do governo na Câmara. Já os que declaram apoio à continuidade das investigações somam 130 parlamentares, 212 a menos do que o mínimo necessário para que a denúncia seja aceita. Outros 112 afirmaram que não sabem ainda como votarão e 57 não quiseram se posicionar.

Entre os deputados do PMDB, o número dos que se declararam contrários ao prosseguimento da denúncia é igual ao daqueles que afirmaram não ter posição formada a respeito do caso: 18. No DEM, partido do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), nenhum deputado declarou que votará contra a denúncia. Três não quiseram se pronunciar, 13 disseram estar analisando a peça do Ministério Público e 11 não responderam à enquete. Maia declarou que não votará.

Parte dos parlamentares tomou chá de sumiço: 168 foram contatados repetidamente pela reportagem desde terça (27), mas não responderam aos telefonemas e e-mails. A maioria é de partidos da base aliada, como o próprio PMDB, que contabilizou 25 sumidos, PR, com 16, PP, com 15, ou PRB, com 12. O líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), não respondeu à pesquisa.

Muitos dizem esperar decisões partidárias para declarar voto. A posição de cada sigla ou a liberação do voto aos parlamentares deve ser discutida nesta semana.”É um equívoco isso de ‘vou votar com a minha consciência’”, afirmou Marcus Pestana (PMDB-MG), um dos que esperam manifestação da legenda. “É preciso votar com a coletividade do partido, ele existe por uma razão”, disse.

Parte dos deputados afirmou que espera manifestação da defesa de Temer, e um terceiro grupo diz que só se posicionará após o relatório da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde a peça será analisada primeiro. Outra explicação para a reticência de aliados pode estar na popularidade do presidente, que caiu a 7% – a menor em 28 anos, segundo o Datafolha –, já que a maior parte dos parlamentares deve tentar a reeleição em 2018.

Mesmo tendo decidido em reunião no início de junho permanecer na base de Temer, o PSDB segue rachado. Entre seus 46 deputados, oito declararam que votarão pela continuidade do processo. O número é maior do que o daqueles que se disseram contrários à denúncia: cinco.