Consumidor paga caro pelo transporte de produtos no AM

Manaus – Por causa da distância e a complexa logística, as mercadorias que vêm de outros Estados levam até 15 dias para chegar a Manaus e as dificuldades de transporte encarecem o preço do frete, repassado ao consumidor. De acordo com a Federação das Empresas de Transporte da Amazônia (Fetramaz), o preço médio para transportar uma carreta de 25 toneladas, de São Paulo a Manaus chega a R$ 20 mil.

“Manaus importa quase tudo. Eu diria que 98% dos produtos consumidos aqui vêm de fora. Essa logística e a burocracia de liberar a mercadoria oneram o custo do transporte e consequentemente dos produtos”, disse o presidente da Fetramaz, Irani Bertolini.

O impacto no bolso da população é direto. Para o presidente da comissão gestora da feira da banana, Moacir Cintrão, o consumidor paga caro por essa logística. De acordo com Cintrão, uma carreta com câmara frigorífica contendo banana produzida na Bahia custa R$ 23 mil. “Infelizmente, temos que repassar esse custo ao consumidor”, disse. Para o representante dos feirantes, o custo para transportar a banana pacovã, do Acre, é de R$ 7, em média, por cacho. Se o produto não for transportado em câmara frigorífica, há perda em torno de 10% e 15% da mercadoria.

O custo varia conforme o período da safra. No caso da melancia, por exemplo, cuja época de oferta de Roraima terminou no final de maio, a fruta aquosa está sendo comprada no Mato Grosso a um valor mais alto em relação ao Estado vizinho. De acordo com Cintrão, para transportar 16 toneladas do produto do Centro-Oeste, o custo chega a R$ 10 mil. A situação permanece até julho, quando começa a safra do Amazonas.

Para o feirante da Manaus Moderna Sérgio Reis, a dificuldade no transporte encarece os itens básicos vendidos na sua banca. “Nos Estados mais distantes do Brasil, a mercadoria demora três dias para chegar ao destino. Aqui, leva até 15 dias. E para os hortifrútis um dia a mais significa muito. É muito risco”, disse.

O secretário executivo do Sindicato das Empresas de Agenciamento, Logística e Transportes Aéreos e Rodoviários de Cargas do Estado do Amazonas (Setcam), Raimundo Augusto de Araújo, disse que, por causa dessa distância, Manaus tem o frete mais caro do País e menos lucrativo para o transportador. “A nossa região apresenta questões geográficas das mais complexas do País. O transportador tem que vir por balsa pela calha do Rio Amazonas, se vier do Pará ou do Rio Madeira, quando vem de Rondônia”, disse.

De acordo com Araújo, quando a balsa vem de Belém, sobe o Rio Amazonas, o que demora em torno de cinco a seis dias para chegar a Manaus. Se se vier de Rondônia, desce o Rio Madeira e leva três dias para chegar a capital. “Esses são os dois caminhos que nos ligam para o resto Brasil”, disse.

A falta de segurança também encarece o custo. Araújo disse que o transportador precisa pagar  segurança, por causa de pirataria no trajeto. “Temos o custo com a escolta armada, para evitar a pirataria que é muito frequente no estreito de Breves, no Pará. E esse valor do frete é repassado para o consumidor”, disse, acrescentando que a escolta armada custa em torno de R$ 18 mil por mês, valor diluído entre as transportadoras.