Amazonense luta contra migração na natação local

Medalhista pan-americana no pólo aquático, a ex-atleta Lucianne Barroncas virou técnica e criou um projeto em um clube de Manaus para oferecer condições de alto rendimento aos nadadores

Natasha Pinto / vencer@diarioam.com.br

Manaus – Depois de 12 anos morando longe de Manaus como atleta profissional, a ex-jogadora de polo aquático Lucianne Barroncas, 29, medalhista de bronze no Pan-Americano de Toronto 2015, voltou à capital amazonense com um novo desafio. Ela agora é treinadora de natação e implementou um projeto que busca incentivar o alto rendimento.

A meta do projeto de Barroncas, que já entrou em funcionamento apesar de precisar de mais recursos, é evitar a migração de novos atletas da natação do Amazonas para outros Estados em busca de melhores condições de treinamento. Hoje, a ex-atleta, que disputou a Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016, dá aulas na Associação Aquática Manaus, na Avenida Mário Ypiranga.

Luh, como é mais conhecida, revelou que conseguiu bastante bagagem de treinamento depois que recebeu uma proposta para ir a Brasília (DF), em 2010, para ser auxiliar do técnico de natação Antônio Henrique. A equipe principal era formada por atletas consagrados da Seleção Brasileira de natação, como Fabíola Molina, ex-atleta olímpica e 55 vezes campeã brasileira de nado de costas, e Diogo Yabe, prata pelo revezamento masculino no Pan de Guadalajara de 2011.

Barroncas quer usar recursos da Lei de Incentivo ao Esporte para viabilizar o projeto (Foto: Reinaldo Okita)

“Quando eu fui dar treino em Brasília, era um projeto com cinco nadadores da Seleção Brasileira, em um treinamento específico para Mundial e Pan-Americano. Foi uma grande experiência, eu tive que me atualizar muito, aprender vários fatores novos sobre treinamento ”, afirmou a amazonense.

A decisão de voltar para Manaus e iniciar um projeto esportivo surgiram depois que Lucianne Barroncas anunciou a aposentadoria devido a uma lesão no joelho, logo depois dos Jogos Rio 2016. Luh revelou que quer ajudar os nadadores do Estado para que não precisem se profissionalizar em outros polos do País.

“Eu senti a necessidade de tentar fazer com que o esporte daqui mudasse com o uso da Lei de Incentivo ao Esporte, que é pouco utilizada aqui (em Manaus). Tentar ajudar com o conhecimento que adquiri e a experiência em prol dos atletas daqui, que estão abandonados. Me senti no dever de ajudar o esporte na cidade onde nasci”, comentou.

Por ter abertura e ser conhecida em outros clubes de ponta do País, Luh pretende investir no intercâmbio dos atletas amazonenses com os clubes brasileiros de maior potência na natação e polo aquático. Ela aguarda que seu projeto na Aquática Manaus seja aprovado pelo Ministério do Esporte.

“Essa lei é muito utilizada pelas empresas da Região Sudeste, porque ela vai pegar o dinheiro de impostos que seria dado para o governo e direcionar para o esporte. O empresário não tira o dinheiro do bolso e ainda tem sua marca vinculada a algo que vai dar mídia e gerar retorno a sua empresa”, argumentou Lucianne.

E Luh já recusou uma proposta para ser técnica de natação em uma universidade norte-americana por acreditar que o seu projeto em Manaus deve render frutos. Ela está à procura de empresários e pessoas que se simpatizam com o esporte para a apoiar nesse seu novo desafio. “Aqui em Manaus não é cultural ajudar, às vezes pode ser por falta de informação de que poderiam estar ajudando crianças e adolescentes a mudarem a perspectiva de vida”, enfatizou.