A arte de driblar para cair na folia

Thiago Fernando / vencer@diarioam.com.br

Manaus – Duas das paixões dos brasileiros, futebol e carnaval, já andaram juntas. É extensa a lista de jogadores que caíram na folia. Craques como Zico, Romário e Edmundo apareceram desfilando em escolas de samba. Alguns clubes também foram homenageados pelas agremiações. Porém, dirigentes e treinadores buscam soluções para que esse período de festa não prejudique o rendimento dos atletas. Apesar disso, muitas vezes, os jogadores conseguem ‘dar aquela fugidinha’ para aproveitar o carnaval.

Durante a temporada 2014, uma história marcou o ‘caçula’ do futebol amazonense. Atuando pelo Manaus FC, na época, um meia-atacante, que pediu para não ser identificado, revelou que dois jogadores conseguiram sair da concentração para curtir uma famosa festa a fantasia que ocorria na cidade. Ele afirmou que os farreiros chegaram apenas na manhã de segunda-feira, horas antes do treino.

“Foi engraçado, porque eles foram e, no outro dia, voltaram fantasiados. O atacante voltou vestido de burrinho e o outro, zagueiro, voltou com um chapéu maluco. Os jogadores que estavam na casa só encontraram os vestígios da noite e rimos muito do ocorrido, principalmente durante o treinamento”, afirmou o jogador que tem passagens pelo futebol paraense.

Prisão no interior

Outra história curiosa aconteceu no Princesa do Solimões. Um ex-diretor de futebol, que pediu para não ser identificado por preferir não ter mais o nome ligado ao clube, disse que, nesse período, os jogadores se soltam e chegam a fazer besteiras, principalmente quando estão acompanhados por mulheres.

“Jogador, no carnaval, se solta. Eles aproveitam mesmo. Em vários anos, colocamos pessoas vigiando o alojamento para os caras não saírem. Mesmo assim, eles ainda fugiam. Alem disso, tem o caso das ‘Marias Chuteiras’. Elas vão atrás dos ‘caras’ e eles ‘piram’. Tem cara casado que acaba traindo. Têm evangélicos que saem da igreja. Os ‘certinhos’ acabam se estragando, porque lá em Manacapuru elas vão bater nas portas dos jogadores. Já vi mulher batendo de porta em porta atrás do jogador”, disse o dirigente, que ainda citou um caso no qual um atleta foi preso, por brigar em uma festa na cidade.

“Teve um caso inusitado. Em um carnaval, um jogador foi preso, porque ele brigou no galpão de uma ciranda. Fiquei sabendo, pelos jogadores, que fugiram para pular carnaval. Se colocar um vigia, eles pagam (propina) para o cara esconder a saída. No interior, acaba piorando”, concluiu.

Em 2013, um caso peculiar aconteceu no Holanda. Após descobrir que oito jogadores caíram na folia, o então presidente do clube, Paulo Radim, demitiu todos os oito e multou outros seis em 30% do salário.