Às vésperas da abertura dos Jogos Olímpicos, Rio de Janeiro está com obras inacabadas

Por Maurício Freire


Rio de Janeiro – Faltando menos de dois meses para a abertura dos Jogos Olímpicos, o Rio de Janeiro corre contra o tempo para entregar os obras para o evento. No Parque Olímpico da Barra da Tijuca, que concentrará a maior parte das competições, 2% das obras ainda não foram entregues. O entorno do Parque também tem obras pendentes.

A reportagem teve acesso ao Parque Olímpico na manhã desta terça-feira (7), durante visita como parte da programação do 4º Encontro Nacional de Editores, Colunistas e Blogueiros (Enecob) e pode constatar o que ainda está pendente e o mau cheiro no local, que já foi alvo de críticas de atletas que participaram de eventos-teste.

De acordo com a própria organização dos Jogos, o Velódromo (estádio de ciclismo) e o Centro de Tênis são os locais que ainda recebem obras. “Uma obra escorregou o prazo. É o velódromo. Isso é público”, admitiu o prefeito do Rio, Eduardo Paes, durante palestra de abertura do 4º Enecob, na noite de segunda-feira (6).

Segundo a organização dos Jogos, o atraso no Velódromo foi causado por problemas com a empresa responsável pela obra, a Tecnosolo, que passa por recuperação judicial e subcontratou a empresa Engetética para dar continuidade a obra. Mas, no final do mês passado, a Empresa Olímpica Municipal optou por romper com a companhia principal e as obras seguem tocadas desde o início do mês de junho pela Enegetética.

O prazo para que atletas possam testar a pista é 26 de junho. Mesmo assim, as obras, orçadas em R$ 143,6 milhões, seguirão na área externa do local até próximo da abertura dos Jogos.

O Centro Olímpico de Tênis, que já foi inaugurado e recebeu evento-teste no final do ano passado, ainda não conclui o sistema de iluminação e recebe ajustes nas quadras secundárias. Mesmo assim, a organização dos Jogos garante que a obra de R$ 190,8 milhões estará pronto para a Olimpíada.

A área externa do Parque Olímpico é um verdadeiro canteiro de obras. Pavimentação de ruas, construções de meio-fio e passarelas são algumas das intervenções no local. O que também chama atenção de quem passa pelo Parque Olímpico é o mau cheiro provocado pela poluição da Lagoa de Jacarepaguá, vizinha ao Parque Olímpico.

A Arena do Futuro, que receberá partidas de handebol, na Olimpíada, e goalball, nos Jogos Paralímpicos, é o local onde o forte odor é mais sentido. O fato, inclusive, foi alvo de reclamações de jogadores de handebol que participaram de evento-teste no local no mês de abril.

Legado

Entusiasta dos Jogos Olímpicos, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, minimiza os problemas e exalta o legado que ele diz que a Olimpíada deixará. “O orçamento total dos Jogos é de R$ 39,7 bilhões, sendo que 57% dos recursos foram gastos pelo setor privado. O legado que ficará para o Rio é de  R$ 24,6 bilhões, sendo que 43% desses obras de legado são do setor privado e 57% público”, disse o prefeito, na noite de segunda-feira.

Ele destacou como principais legados dos Jogos a ampliação do BRT (Bus Rapid Transit), que atualmente percorre 150 quilômetros,  a ampliação do metrô em 18 quilômetros, a construção de  26 quilômetros  de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), a revitalização da zona portuária e diversas obras de saneamento pela cidade. “Usamos a Olimpíada como argumento para fazer obras que já necessitávamos há muito tempo”, completou Paes.

O prefeito destacou também a transformação de obras olímpicas  em instalações para a população, após os Jogos. A Arena do Futuro, por exemplo, será transformada em quatro escolas públicas. Já o Estádio Aquático vai virar dois Centros Aquáticos que serão levados a bairros do Rio de Janeiro.

No Complexo de Deodoro, que abriga as competições radicais e nesta terça-feira foi alvo de operação da Polícia Federal por suspeita de desvios nas obras que podem chegar a R$ 85 milhões, será transformado em uma área de lazer pública.