Marta mostra ‘engajamento’ e pede voz ao futebol feminino

Considerada a melhor jogadora de todos os tempos, atacante da Seleção Brasileira mostra preocupação com os problemas do futebol feminino e comemora descentralização da modalidade

Thiago Fernando/ vencer@diarioam.com.br

Foto: Lucas Figueiredo/Divulgação CBF

Manaus – Cinco vezes eleita a melhor jogadora de futebol no mundo, duas medalhas de ouro em jogos Pan-Americanos, duas medalhas de prata em Olimpíadas, campeã da Liga dos Campeões da Europa, campeã da Copa Libertadores da America e bicampeã da Copa América, essas são algumas das conquistas de Marta, atacante da Seleção Brasileira, considerada a melhor jogadora de todos os tempos. Iniciando um novo ciclo olímpico, aos 31 anos, a atleta revelada pelo Vasco afirma não pensar em aposentadoria e demonstra preocupação com o futuro da modalidade, mas comemora o crescimento do futebol feminino em Estados como o Amazonas.

Jogadora mais assediada pela torcida manauara desde que a Seleção desembarcou na capital para disputar o amistoso contra a Bolívia, Marta fez questão de deixar claro que todas as atletas do Brasil dividem as responsabilidades e têm a mesma importância no grupo comandado por Emily Lima. Mesmo iniciando o seu quinto ciclo olímpico, a camisa 10 descartou falar sobre aposentadoria. “Não quero pensar nisso agora. Espero ainda jogar por alguns anos. Porém, espero que a imprensa possa divulgar a Seleção feminina e as meninas que vem chegar. O trabalho não pode parar. Temos atletas de alto nível, mas em qualquer grupo temos pessoas que se destacam um pouco mais. Levamos isso com naturalidade. Todos são iguais e tentamos dividir as responsabilidades”, disse a atleta que acertou com o Orlando Pride (EUA) para a próxima temporada.

O amistoso contra a Bolívia será o primeiro de Marta com o comando da nova treinadora. Quando questionada sobre os métodos aplicados por Emily, a meia-atacante exaltou a qualidade dos trabalhos realizados durante os treinamentos.

“Estamos em um trabalho de reconhecimento, tanto da comissão técnica, quanto das novas jogadoras. Está sento tudo muito novo. Com certeza, com a nossa convivência, conversas e treinamentos, vamos dando a cara que queremos para a Seleção. Tudo é importante agora. Os treinamentos e o dialogo da comissão nova. Temos que saber qual o propósito e forma de trabalho deles. Consegui captar algumas coisas como o trabalho intenso, toque de bola, rapidez na transição de jogo e a exigência. Temos que nos adaptar a isso”, citou Marta.

Atuando fora do Brasil há sete anos, Marta frisou – com tristeza nos olhos – as necessidades enfrentadas pelas jogadoras diariamente. Ela afirma ser preciso aproveitar todas as oportunidades de ficar próximas aos torcedores brasileiros.

“Desde o primeiro momento que a Seleção veio a Manaus, recebemos o carinho da torcida. Sabemos que o Estado vem evoluindo no futebol feminino e isso é importante para o crescimento da modalidade. Quebramos, de uma certa forma, o preconceito de ter uma treinadora no comando da Seleção. Isso é uma coisa positiva. Esse é o momento de construir o futuro. Temos dificuldades – apesar de já falar isso constantemente – tem que existir apoio, mais divulgação da mídia, porque se não falarem da gente, as pessoas não vão saber que a modalidade existe. Todos têm que fazer sua parte. O que cabe a gente, já estamos fazendo há muito tempo”, disse a jogadora, que comemorou a criação da segunda divisão do Campeonato Brasileiro.

“Acho importante, porque, se você não dê oportunidade para outros clubes, você nunca vai saber que existe um clube no interior de Pernambuco, em Alagoas ou aqui, em Manaus. É importante que possamos dar essa possibilidade. Existem clubes que já estão formados há algum tempo e possuem uma boa estrutura, mas por isso que acho importante a segunda divisão. Com mais clubes, mais meninas acabam aparecendo. Só quem tem a ganhar é o futebol feminino do Brasil”, finalizou.