MP pede afastamento de Eurico Miranda do Vasco por ligação com organizada

Para o Ministério Público, a organizada provocou a briga generalizada que resultou na morte do vascaíno David Rocha Lopes, de 27 anos

Rio – O Ministério Público do Estado do Rio (MP-RJ) entrou com ação civil pública contra o Vasco em que pede o afastamento imediato do presidente Eurico Miranda, do vice-presidente Silvio Aquiles Hildebrando Godoi e de toda a diretoria. O MP-RJ também quer que o Vasco seja condenado a pagar R$ 500 mil por danos morais coletivos.

Órgão alega que os dirigentes foram coniventes com a torcida Força Jovem, que, mesmo banida dos estádios, tinha permissão para frequentar as partidas do clube (Foto: Paulo Fernandes/Vasco.com.br)

O órgão alega que os dirigentes foram coniventes com a torcida Força Jovem, que, mesmo banida pela Justiça dos estádios desde 2014, tinha permissão para frequentar as partidas do clube.

Segundo o órgão, a organizada provocou a briga generalizada que resultou na morte do vascaíno David Rocha Lopes, de 27 anos. David foi baleado no tórax nas imediações de São Januário em decorrência do conflito iniciado dentro do estádio no dia 8 de julho, quando o Vasco enfrentou o Flamengo.

Segundo o MP-RJ, no dia do jogo, o integrante da Força Jovem, Sidnei da Silva Andrade, conhecido como ‘Tindô”, foi contratado pelo clube para trabalhar no local, devidamente identificado com crachá do Vasco e colete refletivo. Na ocasião, ele ficou responsável pelo Portão 9 do estádio, a principal entrada das torcidas organizadas do clube.

De acordo com a ação, este fato pode ter contribuído para a confusão generalizada que ocorreu após a partida, tendo em vista a grande quantidade de objetos, bombas e outros artefatos que foram arremessados e disparados pela torcida vascaína contra os torcedores e jogadores do time rival, policiais, jornalistas e outros profissionais que se encontravam no estádio.

A ação aponta ainda que outro integrante da Força Jovem, Rodrigo Granja dos Santos, conhecido como “Batata’, integra o quadro de funcionários do clube, exercendo a função de segurança particular. Ele mesmo confessou a vinculação ao Vasco em depoimento prestado em 21 de junho ao juiz de plantão do Juizado do Torcedor.

A presença constante de Batata no clube e no estádio é mostrada também em registros fotográficos obtidos no curso das investigações em redes sociais.

Ainda de acordo com o pedido, o Vasco chegou a inaugurar, em São Januário, um camarote para a Força Jovem, conforme verificado em fotografias obtidas nas redes sociais.

“O MP-RJ defende que o clube mandante e os administradores dos estádios têm o dever de prevenir atos ilícitos que possam ser praticados por torcedores, uma vez que detém o controle das instalações desportivas utilizadas, como preconiza o artigo 14 do Estatuto do Torcedor. No episódio de violência ocorrido na partida entre Vasco e o Flamengo ficou evidente, para o MP-RJ, a total falta de condições do clube réu, tanto como mandante de campo, como enquanto administrador do estádio, de receber uma partida da grandeza de um ‘clássico’ entre as duas maiores torcidas do Rio de Janeiro”, justificou o órgão, por meio de nota.